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Cotidiano
27/07/2002 - 16h18

Desastre na Ucrânia prejudica show aéreo no Brasil, diz associação

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SÉRGIO RIPARDO
da Folha Online

O maior desastre da história do show aéreo, ocorrido hoje na Ucrânia, assusta o público e prejudica a popularização desses eventos em todo o mundo, avalia o presidente da Acro (Associação Brasileira de Acrobacia e Competições Aéreas), Luiz Guilherme Richieri, 42.

Esta manhã um caça supersônico caiu em cima de centenas de espectadores durante uma apresentação em Lviv, capital do catolicismo ucraniano. Pelo menos 78 pessoas morreram e 115 ficaram feridas.

No Brasil, a entidade já filiou cerca de 200 pilotos. A maioria só participa de compeonatos. Apenas 12 são especializados em shows aéreos. Eles animam principalmente aniversários de cidades, feiras e clubes de aeromodelismo. Outubro é o mês que concentra mais eventos do tipo devido à Semana da Asa.

Para realizar um show aéreo, o piloto precisa ter sua própria aeronave.

"Mas há muita gente, em Estados distantes, que faz um espetáculo sem ser filiado a nossa entidade", diz Richieri.

Piloto de uma companhia aérea, ele diz ser difícil ter uma renda só com a realização de shows aéreos. Cobra R$ 5.000 por um vôo na região de São Paulo, que dura 15 minutos.

"Faço shows apenas para pagar parte das despesas com a minha aeronave", afirma Richieri, que faz, em média, dois eventos por mês.

Ele considera que o Brasil tem normas rígidas, em constante aperfeiçoamento, quanto à segurança do público nesses eventos.

A realização dos eventos depende de aprovação prévia do DAC (Departamento de Aviação Civil), observa o presidende da Acro.

Além disso, a aeronave é proibida de sobrevoar a área onde fica o público, bem como realizar manobras em que o avião aponte para a direção dos espectadores.

"Não há registro recente de acidentes com vítimas no Brasil. Mas uma tragédia na Ucrânia é prejudicial para a imagem da aviação até no Brasil. O público demora a esquecer essas cenas. A gente sofre com isso", diz o piloto.

O show aéreo de maior destaque mais recente no país foi realizado no último dia 2, em Brasília, quando a esquadrilha da fumaça, da FAB (Força Aérea Brasileira), escreveu a frase "É Penta!", desenhou corações e fez acrobacias durante o desfile de homenagem à conquista da Copa do Mundo de Futebol, que levou cerca de 500 mil pessoas (25% da população do Distrito Federal) às ruas.

O site da Acro (www.acrobrasil.com.br) fornece o calendário das competições aéreas no país.

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