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Cotidiano
07/05/2009 - 22h31

Chuvas podem atrapalhar combate à dengue na Bahia, diz secretário

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da Agência Brasil

As chuvas que atingem o Estado da Bahia nos últimos dias, causando inundações, deslizamentos e mortes, podem gerar novos criadouros para o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. O alerta é do secretário estadual de Saúde, Jorge Solla, que determinou nesta quinta-feira a intensificação nos trabalhos de prevenção e erradicação da doença, que já teve quase 60 mil registros este ano, com 105 mortes notificadas, sendo 49 casos confirmados.

De acordo com o Corpo de Bombeiros de Salvador, seis pessoas morreram em decorrência das chuvas nos últimos dias.

"É claro que as chuvas atrapalham, mas poderia ser pior, se as temperaturas estivessem mais altas. Felizmente este período chuvoso foi acompanhado por uma redução nas temperaturas médias. Mas, quando acabam as chuvas, esses depósitos de água são focos potenciais e todo o trabalho de campo tem que ser intensificado novamente", disse o secretário.

Solla afirmou que os últimos dados --obtidos pela secretaria antes das chuvas desta semana-- indicam um gradual declínio da dengue, causado pela queda da temperatura com a aproximação do inverno. Mesmo assim, ele advertiu que alguns municípios do interior, que tiveram o início da epidemia retardado, ainda podem apresentar algum aumento no número de doentes.

Quase a metade dos casos de dengue, se concentra em apenas cinco municípios: Itabuna, Jequié, Ilhéus, Porto Seguro e Salvador. As notificações dos tipos graves da doença, com complicações, estão principalmente em Itabuna (224 casos), Salvador (183) e Jequié (142). As três cidades têm o mesmo número de óbitos notificados: 13 cada uma.

Em Salvador, foram montadas três tendas de hidratação junto a hospitais públicos, mas em duas delas --próximas ao centro-- a procura já diminuiu. Segundo Solla, a maior parte dos casos está concentrada na região do subúrbio da cidade, principalmente nos bairros de Plataforma, Periperi e Coutos, habitados pelas camadas de baixa renda da capital.

Para Solla, a dengue pode se tornar uma doença permanente na Bahia e em outras partes do país, com picos epidêmicos variando conforme as condições climáticas de cada ano. Segundo ele, a doença está relacionada à falta de água corrente, pois as pessoas precisam armazenar água em recipientes que viram criadouros. Também é beneficiada pelos depósitos irregulares de lixo e pela construção de casas mal projetadas, com lajes e quintais que facilitam o acúmulo de água.

"Esses fatores são os grandes determinantes da reprodução do mosquito nos centros urbanos. A epidemia de dengue já está aí há 15 anos e vai continuar", afirmou Solla.

Com Folha Online

 

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