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Cotidiano
12/05/2009 - 08h07

Polícia agora afirma que quadros de Portinari e Tarsila eram o alvo de bando em SP

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da Folha de S.Paulo

A Polícia Civil mudou a versão sobre o roubo dos quadros de Cândido Portinari, Tarsila do Amaral e Orlando Teruz na manhã de domingo em uma casa nos Jardins (zona oeste de São Paulo). A nova linha de investigação é a de que as obras, avaliadas em R$ 3 milhões, eram o alvo principal da quadrilha.

Anteontem, policiais do 78º Distrito Policial (Jardins) haviam afirmado acreditar que os ladrões eram amadores e que o objetivo do roubo era um cofre -que conteria dinheiro e joias, mas foi encontrado vazio.

Na tarde de ontem, contudo, o delegado Dejar Gomes Neto, titular da 1ª Delegacia Seccional, ouviu pessoalmente as vítimas em novos depoimentos e concluiu que os criminosos tinham um objetivo claro e algum grau de especialização.

As telas levadas foram: "Figura em Azul" (1923), de Tarsila, "Cangaceiro" (1956) e "Retrato de Maria" (1934), de Portinari, e "Crucificação de Jesus", de Teruz.

Gomes Neto disse que, ao contrário do que a polícia havia divulgado inicialmente, é provável que as telas não tenham sido danificadas.

"Quem cortou as molduras sabia o que estava fazendo", afirmou o delegado.

A polícia acredita que a discrepância de informações tenha ocorrido porque as vítimas estavam abaladas emocionalmente quando prestaram o depoimento inicial.

As telas roubadas pertencem à coleção de Ilde Maksoud, 85, ex-mulher do empresário Henry Maksoud. Na ocasião do roubo, a mulher, uma nora e quatro funcionários da casa ficaram reféns dos bandidos durante cerca de uma hora e 15 minutos.

Atitudes amadoras

Alguns dos fatos que levaram a polícia a acreditar que os criminosos eram amadores foram as atitudes de retirar as telas das molduras, com cortes, e enrolá-las. Isso poderia fazer com que a tinta dos quadros, seca havia muito tempo, se desprendesse das telas.

O fato de os ladrões terem roubado dinheiro dos empregados e ainda perdido tempo fazendo um lanche na cozinha foi outro fator.

Até a noite de ontem, a polícia não havia identificado nenhum dos cerca de 15 assaltantes. As principais pistas colhidas foram impressões digitais e três retratos falados confeccionados a partir dos depoimentos das vítimas.

Arte/Folha
 

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