Viúva de vítima do acidente da Gol processa governo por extravio de pertences do marido
MARINA NOVAES
da Folha Online
A viúva de uma das vítimas do acidente com o avião da Gol, ocorrido em 2006, iniciou um processo indenizatório contra a União e o governo do Distrito Federal por não ter recebido parte dos pertences do marido, Rolf Ferdinando Gutjarh. A tragédia provocou a morte de 154 pessoas, todos ocupantes do voo 1907.
De acordo com a assessoria da Associação dos Parentes e Amigos das Vítimas do Voo 1907, Rosane Gutjarh afirma ter recebido menos da metade dos pertences do marido, listados no laudo do IML (Instituto Médico Legal) do Distrito Federal.
| Jorge Araújo 19.abr.2007/Folha Imagem |
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| Destroços do avião da Gol que fazia o voo 1907 caíram em área de mata fechada; os 154 ocupantes do Boeing morreram |
Segundo Rosane, o laudo citava que foram encontrados uma pulseira dourada, um óculos de aro fino e retangular, um relógio e um celular. Na ocasião, o médico responsável pelo laudo teria dito que os objetos seriam encaminhados à Promotoria de Justiça, em Brasília, porém, apenas parte dos pertences foram entregues.
"Com essa ação, a viúva, antes de tudo, quer manifestar sua extrema indignação e procurar a tutela do Poder Judiciário, para que, nos termos constitucionais, a responsabilidade das autoridades seja apuradas", afirmou Dante D'Aquino, advogado da viúva da vítima.
"O que me move não é o valor desses itens, mas o sentimento de que fomos enganados, pois alguns dos pertences que o IML relacionou ter encontrado junto ao corpo, que foram enviados para Brasília, não chegaram até nós", disse Rosane.
A Folha Online procurou a AGU (Advocacia Geral da União) para se pronunciar sobre o processo, mas ainda não obteve retorno. A reportagem não conseguiu contato com a assessoria do governo do Distrito Federal sobre o caso. Assim que os órgãos se manifestarem, suas versões sobre os fatos serão incluída neste texto.
A ação foi proposta na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Paraná, Subseção de Curitiba.
Outras famílias
Segundo a assessoria dos familiares das vítimas, outras três famílias --duas de Brasília (DF) e uma de Manaus (AM)-- também devem mover ações indenizatórias pelo extravio de pertences das vítimas.
Em agosto de 2007, familiares e amigos das pessoas mortas na tragédia denunciaram o sumiço de documentos e pertences dos ocupantes do voo 1907. Em um dos casos, uma família teve de arcar com um prejuízo de R$ 20 mil causado pelo extravio dos documentos de uma das vítimas --usados em compras em uma loja de varejo.
| Ueslei Marcelino-30.set.2007/Folha Imagem |
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| Familiares e amigos das vítimas do vôo 1907 da Gol repudiaram decisão da Justiça |
Os familiares das vítimas reclamam que as denúncias, no entanto, nunca foram apuradas. De acordo com a assessoria da associação, as ações têm como objetivo pedir que o caso não seja esquecido.
"Desde então, nada mais se falou sobre o caso. Não vimos nenhuma investigação, não tivemos nenhuma resposta das autoridades. Por isso, novamente, teremos que pedir à Justiça, pelos meios legais, que os responsáveis sejam penalizados e que tenhamos respostas sobre a pilhagem dos corpos", afirmou Rosane.
Acidente
O Boeing da Gol que fazia o voo 1907 ia de Manaus (AM) para o Rio com previsão de fazer uma escala em Brasília (DF). Ao sobrevoar a região Norte do país ele bateu em o Legacy da empresa de taxi aéreo americana ExcelAire.
Os destroços do Boeing caíram em uma mata fechada, a 200 km do município de Peixoto de Azevedo (MT). Mesmo avariado, o Legacy, que transportava sete pessoas, conseguiu pousar em segurança em uma base na serra do Cachimbo (PA).
O acidente expôs a fragilidade do controle aéreo brasileiro. O assunto deflagrou ainda aberturas de CPI's (Comissões Parlamentares de Inquéritos) e investigações da Polícia Federal e Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).
Com LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online



