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Cotidiano
20/05/2009 - 07h56

Ceará diz não saber o total de vítimas da chuva

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GUSTAVO HENNEMANN
RENATA BAPTISTA
da Agência Folha
Colaboração para a Folha Online

O Ceará, que contabilizava o maior número de mortes em decorrência das chuvas no Nordeste (12 no total), vai rever a estatística. A Defesa Civil do Estado voltou atrás e diz agora que não tem como confirmar quantas são as vítimas dos temporais desde abril. Técnicos do órgão foram às cidades que registraram mortes para apurar a causa do óbito e produzir um novo relatório.

Segundo o secretário-executivo da Defesa Civil do Estado, coronel Henrique Jorge Silva Santos, o trabalho terá de ser feito porque as avaliações de danos enviadas pelas cidades continham imprecisões. "Às vezes, o cidadão está pescando e se afoga, mas não foi a enchente que matou. Precisamos corrigir isso", diz Santos.

Ainda não há um relatório parcial com os casos confirmados até agora. O número de mortos deixou de ser contabilizado no boletim diário da Defesa Civil e as informações de óbitos registrados foram apagadas. O Corpo de Bombeiros, responsável pela Defesa Civil, disse que passou a incumbência da contagem dos mortos para o IML (Instituto Médico Legal).

O IML diz, porém, que não tem como determinar o total de mortes em razão das chuvas e que só pode contabilizar os óbitos por afogamento, causados por diferentes razões. Segundo a assessoria da Secretaria Nacional de Defesa Civil, a última atualização de dados do Ceará ocorreu na sexta, quando a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil informou 15 mortes por causa das chuvas.

Sem contar os mortos informados anteriormente no Ceará, o total de óbitos causados pelas chuvas no Nordeste desde abril cai para 29. No Maranhão, dez pessoas morreram. Quase 300 mil pessoas estão fora de casa. Há 236 cidades em situação de emergência.

Mortes

Segundo balanço divulgado nesta terça-feira (19) pela Sedec (Secretaria Nacional de Defesa Civil), do Ministério da Integração Nacional, já chega a 45 o número de mortes provocadas pelas chuvas em oito Estados brasileiros.

Além disso, as enchentes já obrigaram mais de 377 mil pessoas a deixar suas casas. Do total, 254.340 pessoas foram desalojadas --deixaram suas casas e estão hospedadas com amigos ou familiares-, e 123.510 estão desabrigados, ou seja, dependem de abrigos públicos.

O número de municípios que registraram danos em decorrência dos temporais também subiu de 393 para 407 municípios, localizados em 13 Estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Amazonas, Pará e Santa Catarina.

Comentários dos leitores
jairo dias (1) 15/06/2009 19h27
jairo dias (1) 15/06/2009 19h27
olha sò eu queria saber. ..cadê o velhinho(engenheiro, ou sei la o que) que apqreceu em reportagens de tv dizendo um ou dois dias antes que tava tudo bem e que a barragem não romperia... sem opinião
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José Nilson Campos (5) 31/05/2009 14h02
José Nilson Campos (5) 31/05/2009 14h02
Antes de buscar culpado(s) é importante estruturar os fatos. Há duas coisas distintas: 1) o arrombamento da barragem e 2) a remoção das populações das áreas de risco. O erro pode estar em dois pontos: 1)No projeto ou na construção. Somente uma perícia técnica bem feita pode identificar as causas. No segundo caso, remoção das populações, deixou-se de aplicar o princípio da precaução. Para tomar decisões em situações de riscos, como no caso, é necessário um sistema institucional competente e estabelecido. A informação técnica, de um comitê de alto nível, deve ser transferida para os decisores político-institucionais. Não se deve, nunca, em situações dessa natureza, deixar a responsabilidade em um único indivíduo.
Em aviação uma queda de uma aeronave é, quase sempre, uma tragédia que resulta em muitas vítimas. Contudo, essas tragédias são objeto de perícias e estudos para criar procedimentos e técnicas que reduzam o número de desastres no futuro. Assim devia ser feito com desastres em barragens. Cada desastre devia ser objeto de um relatório completo para uma entidade superior que iria estabelecer políticas de segurança de barragem. É uma pena que na busca de um Estado mínimo, coisas importantes como segurança de barragens ou de outras grandes obras de Engenharia tenham sido esquecidas. É hora de repensar. Que desastres como esse sirvam para instituir um sistema que possa poupar vidas no futuro.
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Simpson Bonner (157) 29/05/2009 20h54
Simpson Bonner (157) 29/05/2009 20h54
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