Contra saques, PM escolta doações para vítimas das cheias no Maranhão
SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha, em Lago da Pedra (MA)
Para evitar tumultos e saques de mantimentos, a Polícia Militar tem escoltado os voluntários que chegam com ajuda às cidades atingidas pelas chuvas no Maranhão. A medida foi tomada após confusão ocorrida no início desta semana no município de Icatu, quando desabrigados cercaram o helicóptero na tentativa desesperada de conseguir uma cesta básica.
A Folha acompanhou ontem uma operação de entrega de mantimentos em Lago da Pedra (a 314 km de São Luís), na região central do Maranhão, uma das mais atingidas. Antes mesmo de o helicóptero Super Puma, da Marinha, carregado com 1.334 kg de mantimentos, pousar, curiosos se aproximaram do campo de futebol da cidade. Ao aterrissar, cinco policiais militares armados com rifles se postaram para guardar os donativos. O grupo recrutado para ajudar no desembarque das cestas básicas só se aproximou da aeronave após autorização policial.
Os PMs organizaram uma fila de pessoas para descarregar a carga. Passando de mão em mão, as cestas foram depositadas no centro do campo. Um representante da prefeitura se encarrega de distribuí-las aos flagelados. Segundo a secretária de Ação Social do município, Geide Araújo, o transporte das cestas será feito por caminhão até onde for possível. Nos locais sem acesso, serão usadas canoas.
Em menos de 15 minutos, sem desligar o motor, o helicóptero Super Puma decolou novamente. No trajeto de ida e volta, foram duas horas e 40 minutos. A aeronave chega a fazer até três voos por dia. No percurso entre São Luís e Lago da Pedra, foi possível ver imensas áreas alagadas e casas com água até o telhado.
Cestas no Pará
Para conseguir entregar cestas básicas às comunidades ribeirinhas afetadas pelas cheias, a Defesa do Civil do Pará tem feito operações noturnas no oeste do Estado. O motivo: os atingidos nunca estão em casa durante o dia, já que saem para pescar. Segundo o major Augusto Lima, as pessoas têm tentado manter a rotina, apesar das dificuldades.
Colaborou JOÃO CARLOS MAGALHÃES, da Agência Folha, em Belém
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Em aviação uma queda de uma aeronave é, quase sempre, uma tragédia que resulta em muitas vítimas. Contudo, essas tragédias são objeto de perícias e estudos para criar procedimentos e técnicas que reduzam o número de desastres no futuro. Assim devia ser feito com desastres em barragens. Cada desastre devia ser objeto de um relatório completo para uma entidade superior que iria estabelecer políticas de segurança de barragem. É uma pena que na busca de um Estado mínimo, coisas importantes como segurança de barragens ou de outras grandes obras de Engenharia tenham sido esquecidas. É hora de repensar. Que desastres como esse sirvam para instituir um sistema que possa poupar vidas no futuro.
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