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Cotidiano
26/07/2000 - 10h22

Funcionário da Febem denuncia violência sexual dentro de unidades

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LARISSA SQUEFF, repórter da Folha Online

O presidente do Sindicato dos Funcionários da Febem, Gilberto da Silva, denunciou, na manhã desta quarta-feira (26), a prática de violência sexual, por parte dos próprios internos, contra adolescentes que estão em unidades da Febem (Fundação do Bem Estar do Menor).

Segundo Silva, há cerca de uma semana, um adolescente foi violentado por outro dentro do Cadeião de Pinheiros, na zona oeste da cidade. "Três funcionários foram tentar impedir e acabaram apanhando. Outros três tiveram de correr para não ser linchados", disse.

O presidente do Sindicato afirmou que há um grupo de jovens dentro do cadeião que está mandando na unidade. "Os funcionários estão de mãos atadas. E a lei do silêncio impera. Se o moleque abrir a boca e apontar o agressor é jurado de morte. Está impossível de trabalhar nestas condições", disse Silva.

Segundo ele, atualmente há 300 internos no cadeião que precisam ser controlados por apenas 12 funcionários. Por conta desta defasagem, na manhã desta quarta-feira, os funcionários fizeram um protesto em frente ao Cadeião de Pinheiros por duas horas.

"A Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social prometeu que a partir de ontem (terça-feira) iria iniciar a transferência de internos para outras unidades. Também foi dito que mais funcionários seriam deslocados para o cadeião. Nada disso foi cumprido", disse.

Silva disse que o menor, conhecido com Baianinho, acusado de matar um médica e participar de uma chacina em Guarulhos, em 99, está liderando um grupo de adolescentes dentro do cadeião.

Silva afirmou, no entanto, que o problema da falta de funcionários e de agressões contra funcionários e adolescentes se estende para a maioria das unidades da Febem. "Todas as unidades têm poucos monitores. No Complexo do Tatuapé, por exemplo, também houve um caso recente de violência sexual contra um interno", disse ele.

Segundo Silva, neste ano pelo menos 70 funcionários foram agredidos dentro das unidades por internos, 15 deles tiveram ferimentos graves.

Na última rebelião no Tatuapé, no dia 12 de junho, a monitora Inês de Souza Gonçalves, 39, foi jogada do telhado pelos menores e fraturou várias parte do corpo. "De 99 para 2000 a violência por parte dos adolescentes aumentou 300%. Trabalho na Febem há mais de uma década e nunca vi nada igual", disse Silva.

E-mail: lsqueff@folhasp.com.br

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