Turbulências em rota onde desapareceu avião da Air France são comuns, diz piloto
da Folha Online
Atualizado às 14h25.
Turbulências na rota onde o avião da Air France desapareceu são comuns, segundo relata o piloto Tiago Rizzi, 35. Durante quatro anos ele atuou na TAM e ainda atravessa o trecho em sua função de piloto executivo.
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| Divulgação |
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| O piloto Tiago Rizzi, 35, que conhece bem a rota onde o avião da Air France desapareceu com 228 pessoas, a maioria brasileiros |
Segundo ele, a rota é uma transposição do hemisfério Sul para o Norte e onde existe a atuação de uma ZCIT (Zona de Convergência Intertropical), formando nuvens. "É bastante constante [turbulência] e comum", disse.
Entre as adversidades meteorológicas, Rizzi elenca a "clear air turbulence", que não é detectada em radares ou nenhum outro sistema e pode provocar o que os especialistas chamam de turbulência severa.
Ele afirma que o Airbus-A330 é um equipamento altamente automatizado. Existem três sistemas elétricos. Se um deles for interrompido por algum motivo, outros são acionados em seguida. Porém, dependendo da intensidade de uma descarga elétrica, podem ser acionados comandos independente da atuação da tripulação. "É muito raro mas não é impossível se perder todo o sistema elétrico [após o aparelho ser atingido por um raio, como alegou a Air France]", afirma.
Rizzi afirmou que já pilotou aeronaves em situação de turbulência. Nessas situações ele afirma que algumas das possibilidades é entrar em contato com a torre de comando e pedir para mudar o nível --subir ou descer-- para desviar da formação.
O piloto prefere não tecer comentários a respeito do que pode ter ocorrido. Entretanto, descarta que a falha humana pode ter ocasionado o desaparecimento do aparelho devido a experiência do piloto, que possui 11 mil horas de voo.
Rizzi afirma ainda que se de fato for constatado que o avião tenha caído no oceano, dificilmente a caixa-preta do aparelho será encontrada pois ela não bóia.
Desaparecimento
O voo AF 447 decolou por volta das 19h de domingo do aeroporto do Galeão (Tom Jobim), no Rio, e deveria pousar no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, por volta das 11h local (6h de Brasília). Em nota, a empresa afirma que a aeronave "cruzou uma zona com forte turbulência" por volta das 23h (horário de Brasília) e enviou alerta automático sobre problemas no circuito elétrico às 23h14.
Em nota, a Air France afirma não ter notícias do voo AF 447, que transportava 216 passageiros e 12 tripulantes.
Rádio
A Aeronáutica informou ainda que o último contato via rádio com o Cindacta 3 (Centro Integrado de Defesa Aérea e de Controle de Tráfego Aéreo) ocorreu às 22h33. Neste momento ele estava a cerca de 560 km de Natal (RN).
A informação prestada pela tripulação era a de que o aparelho iria ingressar no espaço aéreo Dakar - Senegal, numa distância que chegaria a cerca de 1.230 km de Natal às 23h20.
Ao sair do Cindacta 3, às 22h48, o Aiurbus voava a 35 mil pés (cerca de 11 km) numa velocidade de 840 km/h, ainda segundo a FAB. Mesmo tendo se desvinculado do Cindacta 3 ela deveria informar via rádio, por volta das 23h20, que estava sendo monitorada pelo controle aéreo Dakar - Senegal, o que não ocorreu.
A informação dos problemas enfrentados foi prestada pela tripulação ao controle aéreo de Dakar - Senegal e à própria empresa, segundo a Aeronáutica.
Tripulação e aparelho
O piloto do Airbus A300-200 da Air France que desapareceu nesta segunda-feira com 228 pessoas a bordo possuía 11 mil horas de voo, segundo a empresa.
A empresa informou ainda que dos 12 integrantes da tripulação, três eram técnicos e outros nove eram comissários.
O aparelho começou a operar em 18 de abril de 2005 e tem um total de 18.870 horas de voo. Sua matrícula é a F-GZCP e os motores que equipam o A330-200 são General Electric CF6-80E.
A empresa informou ainda que a última visita de manuteção em hangar ocorreu em 16 de abril deste ano.
Busca
As buscas ao aparelho contam com aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) e embarcações da Marinha brasileira. As buscas estão concentradas em um local 290 milhas (466,7 km) a nordeste de Natal (RN).
A FAB foi acionada por volta das 2h30 pelo Salvaero (Serviço de Salvamento Aéreo) de Recife e enviou dois aviões para as buscas: um C-130 Hércules e um P-95 Bandeirante de patrulha marítima. O Parasar (Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento) também foi acionado.
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