Passageiro do voo 447, comandante de embarcação ia trabalhar no Egito
da Folha Online
O comandante de embarcação Soluwellington Vieira de Sá, 40, deixou o Rio de Janeiro no último domingo (31) rumo ao Cairo, no Egito, para atuar na área de pesquisa de petróleo --embarcou no voo 447 da Air France, com destino a Paris, onde faria uma escala. O Airbus A330 da companhia aérea caiu no oceano Atlântico, por causas ainda não elucidadas.
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Natural de Mossoró (RN), Sá trabalhava na divisão internacional da Geokinetics, multinacional especializada em pesquisa de petróleo, há seis anos --sua função era guiar as embarcações que levam as equipes de pesquisa. "Ele ia e voltava do Egito a cada 40 dias", conta Suzy de Sá, sobrinha do comandante, que é casado e tem duas filhas, com oito e quatro anos de idade.
Ele saiu do Rio Grande do Norte no domingo, com destino ao Rio, para mais uma dessas viagens de rotina. "Ele ligou no fim da tarde, dizendo que estava bem e ia desligar o celular para entrar na sala de embarque. Prometeu avisar quando chegasse ao Cairo", diz Suzy.
A família tomou conhecimento do acidente por meio da TV. Depois, eles ligaram para a sede da empresa no Rio de Janeiro e para o Egito e confirmaram que o comandante era passageiro do voo 447. "Estamos arrasados. Minha avó não come e não dorme."
A Aeronáutica informou na manhã desta quinta-feira que o avião-radar R-99 identificou no oceano Atlântico novos pontos de destroços do Airbus da Air France.
Destroços também foram identificados na terça e na quarta-feira, mas ainda não foram retirados da água. Também foi avistada uma mancha de óleo de cerca de 20 km. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou ontem que foram localizadas peças internas do Airbus. 'Não há mais dúvida da situação de queda neste local', disse na ocasião.
Nesta quinta, os destroços --entre eles estariam mais partes internas do avião-- foram encontrados a sudoeste do arquipélago de São Pedro e São Paulo. Segundo o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Decea (diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo), foram localizadas partes brancas, marrons e amarelas, o que não corresponde à área externa da aeronave.
A partir de hoje, FAB e Marinha devem iniciar o resgate dos destroços. "Estávamos dando uma prioridade para corpos, mas como não estamos encontrando, não podemos aguardar mais tempo para recolher os destroços. Então, vamos começar a fazer as duas coisas ao mesmo tempo", disse o diretor do Decea.
De acordo com ele, o local onde foi avistado o óleo não representa o ponto onde ocorreu o choque do avião com a água porque a mancha corre com correntes marítimas.
Diretores da Air France informaram aos familiares franceses de ocupantes do voo 447 que não há esperanças de encontrar sobreviventes.
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