Destroços encontrados não trazem identificação do avião da Air France, diz Marinha
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
Atualizado às 22h30.
As primeiras peças resgatadas nesta quinta-feira do Atlântico não trazem nenhuma identificação do Airbus-A330 da Air France, que cumpria o voo 447 e desapareceu domingo (31) no oceano. Militares da Marinha que fizeram contatos com a tripulação do fragata Constituição, a embarcação que recolheu o material, disseram a Folha Online que apenas uma perícia poderá confirmar se as peças são do avião da Air France.
No início da noite desta quinta-feira, a Aeronáutica informou que os materiais retirados pela Marinha no oceano não são do Airbus da Air France. De acordo com o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Decea (diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo), "nenhum material do avião foi recolhido".
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Os militares esperavam encontrar pelo menos uma placa da Air France ou algum material de série do modelo do avião. Segundo a Marinha, foi recolhida por volta das 13h de hoje uma peça de madeira de 1,20 metros quadrados por 15 cm de altura, utilizada para acomodação de cargas em aviões.
A FAB (Força Aérea Brasileira) informou que o objeto teria 2,5 metros quadrados e que duas boias também teriam sido resgatadas. A Marinha não reconhece a origem das boias.
Segundo a Aeronáutica, os objetos foram avistados distante 550 km de Fernando de Noronha (PE) pelo avião C-130 Hércules da FAB. Segundo a FAB essa seria a primeira peça da aeronave retirada do oceano.
Ainda não há previsão de quando os destroços devem chegar a base operacional de Fernando de Noronha. O comando da Aeronáutica está adaptando a base operacional de Fernando de Noronha e do Cindacta 3 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), em Recife, para receber o material.
O destino dos destroços do voo 447 será definido pelo governo francês. Como as investigações serão tocadas pelo Centro de Investigação de Acidentes Aéreos da França, o governo brasileiro não terá autonomia para decidir o que será feito com o material.
Buscas
O trabalho da Aeronáutica e da Marinha está sendo feito de forma integrada. Cabe às aeronaves orientar os locais de encontro das peças e passar as coordenadas geográficas aos navios.
No mar, a coordenação dos trabalhos de busca está sob o comando da embarcação Constituição no que eles denominam CCA (Comando de Cena de Ação). Auxiliando os trabalhos da Constituição, que é uma fragata, estão o navio-patrulha Grajaú e a corveta Caboclo.
Na manhã desta quinta, a Aeronáutica informou ter localizado mais destroços do avião, entre eles mais partes internas da aeronave.
"Estávamos dando uma prioridade para corpos, mas como não estamos encontrando, não podemos aguardar mais tempo para recolher os destroços. Então, vamos começar a fazer as duas coisas ao mesmo tempo", disse em Recife o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Decea (diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo).
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