Navio francês avista mais corpos de ocupantes do voo 447; mau tempo prejudica buscas
da Folha Online
Atualizado às 12h21.
Uma embarcação francesa que participa dos trabalhos de busca e resgate aos ocupantes e destroços do voo 447 da Air France avistou nesta quinta-feira mais corpos no oceano Atlântico. O Airbus A330 da companhia aérea que caiu no dia 31 do último mês com 228 pessoas a bordo. O mau tempo prejudica o trabalho de buscas.
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A informação é do brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Decea (Departamento de Controle Aéreo). Ele disse, entretanto, que ainda não é possível saber quantos corpos foram avistados e se eles já foram resgatados.
| Eraldo Peres/AP |
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| Corpos de vítimas do voo 447 chegam a Fernando de Noronha; após análise inicial eles serão encaminhados ao IML de Recife |
Entre sábado (6) e terça-feira foram retirados do oceano 41 corpos. No final da noite de quarta, 16 corpos levados inicialmente a Fernando de Noronha chegaram em Recife, onde serão identificados no IML (Instituto Médico Legal).
Segundo Ramon o mau tempo prejudica a visibilidade na posição aeronáutica Tasil (localizada a cerca de a 1.200 km de Natal), região que concentra a maior parte das buscas. Devido a isso outras áreas que não sofrem a influência do mau tempo permanecerão sendo monitoradas.
O mau tempo nas imediações do arquipélago de Fernando de Noronha também foi a alegação para o atraso da saída do C-130 da Hércules da FAB que levou os 16 corpos para Recife ontem à noite.
Os 25 corpos que estavam na fragata Bosísio já foram levados para Fernando de Noronha. Numa primeira viagem foram transportados 12 corpos. Por volta das 11h40 (horário de Brasília) outros 13 foram levados.
Em Fernando de Noronha os corpos passarão por uma análise inicial --que inclui coleta de material genético e digitais. Os corpos devem seguir entre sábado de manhã e domingo à tarde para Recife, onde passarão por perícia.
As tripulações das embarcações brasileiras também serão substituídas. Segundo cálculos fornecidos hoje pelas equipes, em dez dias de operações as aeronaves envolvidas voaram um total de 700 horas. A maior parte dos voos foram feitos pela Aeronáutica brasileira, 597 horas, e o restante foi de aeronaves dos EUA e França.
As três aeronaves mais envolvidas nas missões de busca visual, C-130 Hércules, C-105 Amazonas e P-95 Bandeirante Patrulha, voaram um total de 490 horas. O avião radar R-99 voou 80 horas numa média diária de três missões de busca.
Ramon informou ainda que o navio de desembarque Rio de Janeiro deve se juntar às equipes de resgate e busca. Ele possui capacidade para dois helicópteros e isso deverá facilitar o trabalho de resgate de corpos.
Os militares brasileiros devem entrar em contato com as equipes francesas para que eventuais corpos que sejam encontrados por elas sejam embarcados nas fragatas da Marinha do Brasil.
A fragata Constituição deve voltar hoje ao local de buscas. A Bosísio, que estava a 40 km do arquipélago de Fernando de Noronha e de onde foram retirados 25 corpos de ocupantes do Airbus da Air France, irá retornar ainda hoje.
Prazo
Segundo Ramon o prazo fornecido ontem de 19 de junho para o término das buscas poderá ser revisto. Tudo irá depender de uma nova análise a ser realizada na semana que vem.
Se for necessário as equipes podem se reaparelhar para permanecer até pelo menos o dia 25 deste mês. A prorrogação do prazo dependerá de análise a ser realizada por técnicos a respeito da viabilidade de encontro dos corpos.
Causa
Não há hipóteses claras sobre o que pode ter derrubado a aeronave, mas já há certeza de que o avião sofreu despressurização e uma pane elétrica, porque a aeronave enviou alerta automático do tipo durante o voo. Sabe-se também que a aeronave enfrentou forte turbulência.
As primeiras suspeitas sobre o acidente recaem sobre os sensores de velocidade e a força do vento. Aparentemente, os sensores falharam nos minutos imediatamente anteriores ao acidente, segundo 24 alertas automáticos enviados pelo avião.
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