Austríaco culpa Justiça brasileira pela morte da filha de 4 anos
SAMANTHA LIMA
da Folha de S.Paulo, no Rio
Um pai austríaco culpa a Justiça brasileira pela morte da filha de quatro anos. Sascha Zanger diz que a menina e o irmão dela, de 12, foram trazidos da Áustria para o Brasil pela ex-mulher, brasileira, sem sua permissão em janeiro de 2008.
Sophie, 4, morreu na sexta-feira em um hospital na Baixada Fluminense, de traumatismo craniano. Há dez dias, ela havia dado entrada desmaiada num posto médico em Santa Cruz (zona oeste do Rio).
A polícia investiga suspeita de agressão por parte de familiares brasileiros.
Sophie foi levada ao hospital pela tia, Geovana, que tinha guarda da menina e de seu irmão. A mãe das crianças, Maristela dos Santos, 40, está desaparecida desde abril.
Zanger, que chegou na quinta-feira para ver a filha, culpa a Justiça brasileira. Afirma que tenta reaver a guarda das crianças e levá-las para a Áustria desde que a mãe deixou o país.
Para isso, evoca a Convenção de Haia, da qual o Brasil é signatário. Pelo tratado, casos como esse --assim como o do americano Sean Goldman, 8-- devem ser discutidos no país em que a família vivia.
"Vim ao Brasil quatro vezes, gastei 100 mil com visitas e processos e perdi minha filha. Trata-se de um caso de sequestro internacional de criança, previsto na convenção. Se o juiz tivesse me autorizado a levar as crianças, isso não teria ocorrido. Tudo o que eu quero é levar meu filho, que é o que me resta, e logo."
Representante de vendas, Zanger diz ter conhecido Maristela em 1993, quando passava férias no Brasil. Após dois anos de namoro, levou-a para Viena. Em 1997, nasceu o menino e, em 2005, Sophie.
O casal acabou se divorciando. "Deixei um apartamento e pagava pensão de 1.300, mas mal via meus filhos, até que ela sumiu no ano passado."
Maristela foi localizada pelos advogados do austríaco em março de 2008, na casa de Geovana. Em fevereiro, a irmã conseguiu na Justiça a guarda das crianças.
Com a mãe desaparecida e as suspeitas de que a menina estava sendo agredida pela tia e por uma prima, a Justiça transferiu na semana passada a guarda das crianças para a mãe adotiva de Maristela, Anayá Rocha.
Geovana e a filha Lílian, 21, não foram encontradas pela reportagem.
Zanger afirma que permanecerá no Brasil até 16 de julho tentando retomar a guarda do filho. "Quero voltar a morar com meu pai e meus avós", disse ontem o garoto.
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