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Cotidiano
24/06/2009 - 00h39

Acusado de matar Arthur Sendas é condenado a 18 anos de prisão

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da Folha Online

Atualizado às 01h05.

O motorista Roberto Costa Junior foi condenado a 18 anos e 4 meses de prisão em regime fechado pelo assassinato do empresário Arthur Sendas, ocorrido em outubro do ano passado, no Rio. A defesa disse que vai recorrer da decisão.

O julgamento ocorreu nesta terça-feira, e a sentença foi pronunciada pelo juiz Fábio Uchôa, do 1º Tribunal do Júri do Rio. O júri entendeu que o crime ocorreu por vingança, e o motorista foi considerado culpado por homicídio duplamente qualificado. "Nos aterroriza essa futilidade. Só uma pessoa que fosse da inteira confiança da família poderia entrar naquela casa. O que houve foi uma grande traição", afirmou o juiz.

Costa Junior também foi condenado a 2 anos de prisão em regime aberto por porte ilegal de armas.

Sendas, 73, fundador da rede varejista de supermercado Sendas, morreu após ser baleado na cabeça em seu apartamento, no Leblon (zona sul). Costa Junior chegou a afirmar, na época, que havia atirado acidentalmente após uma discussão com o empresário

Em julgamento realizado nesta terça-feira, a principal testemunha do crime derrubou a versão do tiro acidental. A empregada da casa do empresário, Claudia Martins, afirmou que não houve discussão entre o acusado do crime e a vítima.

"O 'seu' Arthur foi baleado assim que colocou os pés na porta e não houve nenhum diálogo entre ele e o assassino", disse.

Depoimento da família

A primeira pessoa a ser ouvida, na condição de informante, foi a viúva de Sendas, Maria Ablen Sendas. Ela contou que no dia do assassinato os dois chegaram em casa, no Leblon, por volta das 21 horas. Mais ou menos à meia noite, ela desligou a TV e Sendas deitou-se para ler. Foi quando a empregada da casa, Claudia, interfonou da cozinha para o quarto do patrão, dizendo que Junior estava na porta.

Sendas disse que falaria pelo interfone, mas Roberto insistia, dizendo que precisava falar pessoalmente, pois seu pai havia sofrido um acidente. "Meu marido então foi atendê-lo na área de serviço e pouco tempo depois eu ouvi um estampido, mas não sabia que se tratava de um tiro. Como ele demorava para voltar para o quarto, fui procurá-lo e vi que a cozinha estava vazia. Foi quando a Cláudia apareceu, chorando, dizendo que Arthur estava baleado", relatou.

O pai de Junior, Roberto Costa, que era motorista da família havia anos, disse que ficou sabendo pelo chefe da segurança do empresário que seu filho havia atirado em Sendas. Ele confirmou que Junior possuía uma arma e que estava com ela no dia do crime.

Na época do crime, Junior, que era motorista do neto de Sendas, João Arthur, estava sem trabalhar porque João estava viajando e havia um rumor de que Arthur Sendas ia demiti-lo.

O último a depor foi João Arthur Sendas, que disse que o réu trabalhava com ele há cerca de oito anos e que o viu armado algumas vezes. Ele falou ainda que estava viajando no dia do crime que não sabia de ninguém que tivesse algo contra o seu avô.

 

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