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Cotidiano
24/06/2009 - 09h34

Juiz anula proibição a fumódromo em São Paulo

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JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
da Folha de S.Paulo

O governo de São Paulo sofreu ontem a primeira derrota na série de ações encaminhadas à Justiça contra a lei antifumo, que começa a vigorar em agosto. O juiz Valter Alexandre Mena, da 3ª Vara da Fazenda Pública, anulou o dispositivo da lei que baniu os fumódromos, o que havia sido considerado o principal avanço legal na lei antitabaco criada pelo governador José Serra (PSDB).

O juiz expediu um mandado de segurança a pedido da Abresi (Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo), que se insurgiu contra o que considerou "excessos" na nova lei.

Além de permitir os fumódromos, a sentença de Mena desobriga donos de bares e restaurantes de chamar a polícia quando alguém estiver fumando e também suspende a aplicação das multas. Os demais itens da lei foram mantidos.

Para a Abresi, o Estado extrapolou sua competência constitucional ao proibir os fumódromos, que são permitidos por lei federal de 1996. Com a lei, diz a entidade, São Paulo invade a competência da União.

"A decisão está dentro dos termos constitucionais. O Estado de São Paulo avançou em sua competência ao legislar sobre um assunto que é restrito à União. Os empresários não podiam ter poder de polícia para reprimir e fiscalizar seus estabelecimentos. A lei é inconstitucional", diz o advogado Marcus Vinícius Rosa, um dos diretores da Abresi e autor da ação.

O secretário de Estado da Justiça, Luiz Antonio Guimarães Marrey, disse à noite, ao saber da sentença, que o governo vai recorrer e que está convencido de que a decisão será modificada. "Já temos decisão do Supremo [Tribunal Federal] no sentido de que o Estado pode legislar [sobre o fumo]."

Mais ações

O Estado enfrenta outras ações judiciais contra a lei. A estratégia das associações do setor de bares e restaurantes foi pulverizar os pedidos. Até ontem, eram ao menos seis processos, boa parte deles aberta pelo mesmo advogado.

Na semana passada, a Confederação Nacional do Turismo foi ao STF pedir a suspensão da lei pelos mesmos motivos.

O médico oncologista Drauzio Varella, que fez propaganda da lei antifumo na TV, lamentou a decisão.

"É uma coisa melancólica. Não tenho nível para julgar a exatidão da decisão. Imagino que deva haver uma base para isso. Nos países desenvolvidos isso é resolvido em nível municipal. Nós vamos ter muita dificuldade para aprovar isso numa esfera federal", disse.

Segundo ele, o tabagismo é uma questão de saúde pública "gravíssima". "Não é justo estar com a família num restaurante e jogarem fumaça na sua cabeça. Com tudo o que se sabe sobre o fumo passivo não é possível o Estado ficar amarrado, não poder fazer nada", disse.

Para o diretor jurídico da Abrasel (associação de bares e restaurantes), Percival Maricato, a proibição fere a Constituição. "Não entendo o que acontece nesse país. Essa lei fere diversos princípios constitucionais. Como é que o governo do Estado consegue aprovar e diz que uma lei dessas tem fundamento jurídico? Imagina cada Estado fazer uma lei que desse na telha? O país viraria uma colcha de retalhos", disse.

Para Maricato, a decisão "estava mais do que cantada". "Eram favas contadas. A lei era muito invasiva, fere a privacidade do cidadão e culpa o empresário por alguém que infringe a lei", afirmou.

Comentários dos leitores
Edivaldo Cardoso (109) 26/11/2009 11h11
Edivaldo Cardoso (109) 26/11/2009 11h11
Concordo com todos os comentarios,contra e a favor,pois sou pela democracia e democracia pressupõe o direito de ir e vir,de opinião,de fumar ou não,estejam certos ou errados em suas opiniões,pois cada um acha que é o certo e assim cada um defende seus direitos,suas teses,suas ideologias o que não se pode é castrar o direito do proximo, graças a Deus ainda temos uma imprensa livre,mesmo quando ela divulga asneiras.Mas o que me traz aqui não é falar contra ou a favor das leis anti-fumo (fumo? grande mentira porque as fabricas com anuencia dos governos fabricam cigarros com tudo menos com tabaco) vim lembrar o governador sobre os salarios dos seus cabos eleitorais,porque no fundo eu vejo esses fiscais contratados no estado todo,mais com fins politicos partidarios, ele que tome cuidado porque o tiro pode sair pela culatra. sem opinião
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joao martins (67) 24/11/2009 10h29
joao martins (67) 24/11/2009 10h29
As autoridades brasileiras continuam tomando medidas atabalhoadamente, sem se utilizar das prioridades, tão necessárias às pessoas que fazem as leis. A prioridade seria acabar com todo tipo de poluição, a começar pelas queimadas, pelas fábricas, depois pelos caminhões, pelos onibus, pelos carros e por fim pelas pessoas, como o caso da fumaça do cigarro. Imaginem vc dentro de um tunel com o transito parado e aqueles caminhoes e onibus produzindo fumaça de milhares de cigarros ao mesmo tempo, e vc e suas crianças dentro do carro respirando aquela poluição!!!! Já pensou o fiscal multar o mendigo ao lado do caminhão no tunel pq ele estava fumando??????????????????? O Brasil precisa de Ordem nas ideias e Progresso nas açoes!!! 7 opiniões
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Abençoada lei antifumo! Começamos a perceber que a civilização está chegando. A partir do momento em que temos um instrumento legal contra esse lixo, a sociedade ganha mais um espaço. Abençoado também, o governo que encara de frente, a despeito dos desgastes políticos, situações como essa. Aliás, para endireitar o que está torto há sempre desgastes momentâneos, o que os governos medíocres e populistas detestam, mas, aos que pensam mais à frente haverá o momento de glória e a perenidade. Aos medíocres, o nosso perene esquecimento! 10 opiniões
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