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Cotidiano
25/06/2009 - 11h25

Nível do rio Negro, em Manaus, atinge 29,71 metros; cheia é a maior dos últimos 107 anos

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da Folha Online

O rio Negro, em Manaus (AM), alcançou nesta quinta-feira a marca de 29,71 metros, a maior cheia desde que o registro de suas águas é feito, a partir de 1902, portanto há 107 anos. Ontem ele havia atingido 29,69 metros, igualando o maior índice até então registrado na história, de 1953.

O Serviço Geológico do Brasil não descarta que o nível do rio possa subir ainda mais. A situação, segundo o engenheiro hidrólogo Daniel de Oliveira, é reflexo das chuvas e da elevação do rio Solimões, que normalmente represa o Negro. O Solimões ainda está em cheia e não atingiu a época de vazante.

Daniel de Oliveira/Serviço Geológico do Brasil
Feira Manaus Moderna; cheia do rio Negro, em Manaus, atinge marca histórica, alaga ruas da cidade a pontos turísticos
Feira Manaus Moderna; cheia do rio Negro, em Manaus, atinge marca histórica, alaga ruas da cidade a pontos turísticos

Para saber se a situação do rio Negro irá piorar ou não, é necessária a medição do rio Solimões. Técnicos realizam na cidade de Manacaparu (a 84 km de Manaus) a medição para encontrar essa resposta. A equação é simples. Quanto mais cheio estiver o rio Solimões, mais alto será o nível do rio Negro.

O engenheiro afirma que os dois rios possuem volumes de água muito diferentes. Enquanto o rio Solimões verte 103 mil metros cúbicos por segundo, o rio Negro tem 28,4 mil metros cúbicos por segundo. O que provoca a elevação do nível no rio Negro é que, ao tentar passar o rio Solimões, ele encontra uma espécie de parede.

A alta do nível já era aguardada pelos técnicos e chegou a ser mencionada em alertas emitidos às defesas civis do município, Estado e do governo federal. No dia 31 de março o alerta dava conta que o nível do rio Negro poderia atingir entre 29,33 metros a 30,03 metros. Em 30 de abril uma nova projeção dava conta de que suas águas poderiam atingir entre 29,25 metros a 29,95 metros. O último, feito em 31 de maio, citava que a cheia poderia atingir entre 29,15 metros a 29,59 metros.

Estragos

A cheia provou interdição do trecho da avenida Eduardo Ribeiro em frente à praça da Matriz e provocou inundações no entorno do Mercado Municipal.

As inundações causadas pela cheia do rio Negro já atingem pontos turísticos de Manaus, como o Relógio Municipal, o prédio da Alfândega, a Feira Manaus Moderna e a praia da Ponta Negra. Parte das avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro, no centro, foram interditadas.

Os pedestres agora precisam andar em passarelas improvisadas de madeira, substituindo as calçadas. Na Feira Manaus Moderna, 120 bancas de alimentos foram tomadas pelas águas, segundo a prefeitura. Foram colocados no entorno do local sacos de areia e cimento para reduzir o impacto da cheia.

Na praia da Ponta Negra, a rede elétrica e duas estações de energia, que estão submersas, foram desligadas. "Nós fizemos uma rede elétrica aérea para que a área de lazer não ficasse no escuro", disse Orlando Câmara, coordenador de projetos da Fundação Municipal de Cultura e Turismo.

O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) diz que as chuvas em Manaus este mês são atípicas. Foram 160 milímetros até ontem --a média normal é de 113,06 mm (cada milímetro equivale a um litro de água por metro quadrado). Lúcia Gularte, meteorologista, disse que as chuvas nas nascentes do rio Negro, na Colômbia, influenciam no aumento no volume de água.

Em Manaus, 29 famílias estão desabrigadas, segundo a Defesa Civil Municipal. A cheia atinge cerca de 18 mil pessoas, que moram na margem do rio Negro, mas não abandonam as casas por temor de saque e para aguardar cadastramento do governo do Estado, visando indenização.

No bairro São Raimundo, zona oeste de Manaus, as palafitas estão com água quase na altura do teto.

Com Agência Folha

 

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