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Cotidiano
29/06/2009 - 15h45

Justiça condena policiais envolvidos no desaparecimento de chinesa no Rio

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da Folha Online

O juiz André Ricardo Ramos, da 28ª Vara Criminal do Rio, condenou quatro policiais --dois civis e dois militares-- a 12 anos de prisão pelo roubo triplamente qualificado da chinesa Ye Guoe, que desapareceu após sair de um shopping na Barra da Tijuca (zona oeste da cidade), em julho do ano passado. Ela estava com US$ 130 mil na bolsa. Ela foi vista por um taxista sendo levada em um carro policial antes de desaparecer.

Marcelo Gomes da Costa, Fabiano do Amaral Bernardes, Cláudio Rodrigues de Azevedo e Izan Chaves de Mello também perderam os cargos de policiais, segundo o TJ (Tribunal de Justiça). Eles foram absolvidos, no entanto, da acusação de ocultação de cadáver.

"Determino a perda dos cargos públicos ocupados pelos quatro primeiros denunciados, não só em razão do quantitativo da pena aplicada, mas também pelo fato de que não se pode admitir, por razões óbvias, a manutenção nos quadros das Polícias Civil e Militar do Estado de pessoas capazes de praticar fatos como o destes autos", disse o juiz na sentença.

Cinco testemunhas que haviam sido acusadas de falso testemunho foram absolvidas, mas a acusada Graziele Oliveira de Farias foi condenada pelo crime a uma pena de um ano e dois meses de prisão, que foi convertida em multa e prestação de serviços comunitários.

A Folha Online não obteve o contato dos advogados de nenhum dos condenados.

Crime

De acordo com a Polícia Civil, que investigou o caso, os policiais abordaram a chinesa na avenida das Américas, a principal da Barra, após ela sair do shopping Downtown, e a colocaram dentro de um carro oficial da Polícia Civil. Em depoimento, o motorista do táxi no qual a chinesa estava já havia relatado que a viu entrando em um carro da polícia.

O inquérito concluiu que os policiais monitoraram a vítima durante todo o dia e sabiam que ela trocaria dinheiro no shopping, em uma operação que a polícia também considerou ilegal. A casa de câmbio onde a chinesa trocou US$ 130 mil, não tinha autorização para isso, mas o delegado afirmou não ter encontrado indícios de envolvimento do estabelecimento no crime.

Os quatro policiais negaram ter colocado a chinesa dentro do carro, segundo a Polícia Civil. No entanto, as perícias realizadas no inquérito desmentem os acusados. O laudo que confrontou um fio de cabelo encontrado no carro com o da chinesa foi positivo, afirmou a polícia.

 

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