Sinal da caixa-preta de Airbus da Air France pode parar hoje
CÍNTIA CARDOSO
colaboração para a Folha de S.Paulo, de Paris
Mesmo sem indícios da caixa-preta e quatro semanas após o acidente com o Airbus da Air France, com 228 pessoas a bordo, a França mantém suas equipes de busca na costa brasileira.
Segundo o BEA (Escritório de Investigação e Análise), haverá um "esforço considerável" para continuar as buscas pelas caixas-pretas para além de hoje, data esperada para o fim da emissão dos sinais sonoros do equipamento.
O órgão, porém, não informou a data prevista para o término das buscas.
Na semana passada, Paul-Louis Arsalanian, diretor do BEA, declarou que as expedições de busca poderiam ainda durar algumas semanas.
Segundo ele, as caixas-pretas têm garantia de funcionamento de 30 dias, mas podem funcionar por mais tempo.
Sem as caixas-pretas, os destroços e as mensagens Acars, enviadas automaticamente pela aeronave até o momento do seu desaparecimento, continuam a ser as principais pistas para explicar o acidente.
Ao longo das três entrevistas coletivas concedidas desde o acidente, o diretor do BEA divulgou apenas trechos de poucas das 24 mensagens enviadas nos últimos quatro minutos do voo AF 447.
Ele explicou que as mensagens ainda estavam em análise. Por isso, não deu mais detalhes sobre seu conteúdo.
A única informação divulgada oficialmente aponta que as mensagens indicavam "uma incoerência das velocidades medidas" pelos pitots (sensores externos) e uma falha do piloto automático.
Na avaliação do BEA, ainda não é possível concluir se isso contribuiu para o acidente, mas, nas duas semanas após o ocorrido, a Air France trocou todos os sensores de velocidade da sua frota de A320 e A330.
A Airbus, fabricante dos aviões, havia emitido uma recomendação para substituir os sensores de velocidade em 2007. A empresa havia observado que, sob determinadas circunstâncias meteorológicas, a superfície dos sensores se congelava, o que impedia o cálculo preciso da velocidade.
Vítimas
Até agora, apenas 14 dos 51 corpos resgatados foram identificados por uma equipe de peritos sediada no IML (Instituto de Medicina Legal) de Recife.
A falta de dados sobre as vítimas estrangeiras é apontada como principal entrave para concluir os trabalhos.
Entre as vítimas identificadas, há dez brasileiros --cinco homens e cinco mulheres. Todas as identificações foram feitas com base em impressões digitais e arcada dentária.
Países com um número maior de vítimas, como França e Alemanha, já enviaram os dados, segundo a Polícia Federal. A instituição não soube informar quantos países ainda não repassaram as informações.
As equipes de busca recuperaram cerca de 600 pedaços do Airbus, que foram entregues à França, responsável por investigar as causas do acidente.
Colaborou a Agência Folha, em Recife e em Salvador
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