Meses após prisão de suspeito, outro homem confessa ataque a casal em Matinhos (PR)
MARINA NOVAES
da Folha Online
Quase cinco meses após a prisão do auxiliar de serviços gerais Juarez Ferreira Pinto, 42 --acusado de ter matado um universitário de 22 anos e baleado e molestado a namorada dele, de 23 anos em Matinhos (PR)-- a Polícia Civil do Paraná informou nesta terça-feira que outro homem confessou a autoria do crime. A confissão causa uma reviravolta no caso, já que a jovem chegou a reconhecer o suspeito preso.
De acordo com a Sesp (Secretaria de Segurança Pública do Paraná), Paulo Delci Unfried foi preso na semana passada no litoral do Estado por outro crime. Durante a prisão, policiais teriam notado a semelhança dele com o Ferreira Pinto e realizaram um exame de balística na arma apreendida.
O resultado do exame comprovou que o tiro que matou o estudante partiu da arma apreendida com Unfried, segundo a polícia. Após ser interrogado, o homem teria confessado ter molestado a jovem e matado o namorado dela. A Folha Online ainda não localizou o advogado de Unfried para comentar o caso. Assim que a defesa dele se manifestar, se é que o fará, sua versão sobre os fatos será incluída neste texto.
O crime ocorreu no dia 31 de janeiro deste ano, quando o casal passeava pelo Morro do Boi, em Matinhos. Na ocasião, chegou a ser divulgado que a estudante --que também foi baleada e perdeu o movimento das pernas-- teria sido violentada, porém, a polícia informou posteriormente que ela foi molestada.
Investigações
A Promotoria de Justiça de Matinhos informou que já protocolou na Justiça uma petição com várias requisições para "esclarecer os fatos em virtude do surgimento de um suposto 'novo autor' para o crime".
Entre as requisições do Ministério Público do Estado, deverá ser feita um exame de corpo de delito em Unfried, um laudo pericial de confronto de balística entre a arma encontrada com Unfried e os projéteis retirados do corpo da vítima; a reconstituição dos fatos criminais segundo a versão de Unfried; e a validação da confissão.
Segundo o delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura, que coordenou as investigações, a estudante deverá realizar o reconhecimento do suspeito, já que ela já havia reconhecido Ferreira Pinto como autor do crime.
"O reconhecimento dela foi determinante para a prisão [à época]. Agora precisamos ver se essas provas, que serão todas acareadas", afirmou o delegado, que não quis informar se acredita na suposta inocência de Ferreira Pinto. "Não cabe a mim fazer juízos de valor", disse.
Para a Promotoria, as declarações de Unfried contradizem com "a prova colhida até agora nos autos, em especial com as palavras da vítima, denotando que a confissão não encontra amparo no presente processo".
Ferreira Pinto foi denunciado por roubo seguido de morte, roubo seguido de lesão corporal grave, atentado violento ao pudor e por perigo de contágio de moléstia grave em março deste ano.
Outro lado
Desde que foi preso, em 17 de fevereiro deste ano, Ferreira Pinto nega autoria do crime. Porém, a polícia informou que caberá à Justiça decidir se ele deve ou não ser solto.
Na ocasião, o advogado Nilton Ribeiro de Souza disse à Folha Online que seu cliente estava a 22 km de distância do local do crime no dia, trabalhando na empresa do irmão, uma distribuidora de chope localizada no município de Pontal do Paraná, vizinho a Matinhos.
De acordo com o advogado, o cliente é portador de hepatite C e não tem condições físicas de percorrer caminhos acidentados como o da trilha onde o ataque foi cometido.
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