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Cotidiano
01/07/2009 - 16h43

Polícia vê contradição em versão de suspeito de crime no PR; jovem mantém acusação

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MARINA NOVAES
da Folha Online

A confissão de um novo suspeito de ter matado um universitário de 22 anos e baleado e molestado a namorada dele em Matinhos (PR) --divulgada nesta terça-feira (30), meses após a prisão de um homem acusado do crime-- ainda não convenceu a Polícia Civil do Paraná.

Para o delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura, que coordena as investigações, o surgimento de um novo suspeito --Paulo Delci Unfried, preso na semana passada no litoral paranaense-- não prova a inocência de Juarez Ferreira Pinto, 42, preso em fevereiro deste ano acusado do crime.

SESP-PR
Retrato falado de homem que baleou jovem e matou garoto no PR, divulgado pela polícia
Retrato falado de homem que baleou jovem e matou garoto no PR, divulgado pela polícia

À época da prisão, a jovem chegou a reconhecer Ferreira Pinto como sendo o criminoso que atacou o casal. Desde a ocasião, no entanto, a defesa do acusado nega a autoria do crime e defende a inocência dele. Segundo a polícia, apesar da confissão de Unfried, a estudante mantém as acusações contra o suspeito preso no início do ano.

"Ela mantém o reconhecimento [disse o delegado, em referência às entrevistas concedidas pela jovem à imprensa do Paraná nesta semana]. Porque é uma prova muito forte, desde o início a emotividade dela diante do reconhecimento mostra que ela tem uma certeza muito forte", afirmou Cartaxo à Folha Online.

O delegado afirmou ainda não estar convencido da inocência de Ferreira Pinto e disse que o depoimento dele apresenta contradições fortes em relação às provas coletadas pela polícia. Ontem, o Ministério Público do Estado já havia pedido uma série de diligências para "esclarecer os fatos em virtude do surgimento de um suposto 'novo autor' para o crime", alegando também haver contradição nas versões.

"Eu li o depoimento dele, e achei um negócio muito furado. Porque é uma confissão que não dá um detalhe que sirva. Nós precisamos investigar com muita calma, muito critério", disse Cartaxo, nesta quarta-feira. "Porque a contradição entre os dois materiais comprobatórios são bastante fortes. [...] Existe uma nova realidade que precisa ser investigada, mas essa nova realidade não mudou a nossa opinião por enquanto [de que Ferreira Pinto é culpado]", afirmou à Folha Online.

Procurada pela reportagem hoje, a Promotoria afirmou que as requisições solicitadas já foram aprovadas pela Justiça --como a realização de um exame de corpo de delito em Unfried, um laudo pericial de balística, e o reconhecimento de Unfried pela vítima--, porém, ainda não há uma previsão para que sejam realizadas.

Provas

De acordo com a Sesp (Secretaria de Segurança Pública do Paraná), Unfried foi preso na semana passada no litoral do Estado por outro crime. Durante a prisão, policiais teriam notado a semelhança dele com o Ferreira Pinto e realizaram um exame de balística na arma apreendida.

O resultado do exame comprovou que o tiro que matou o estudante partiu da arma apreendida com Unfried, segundo a polícia. Após ser interrogado, o homem teria confessado ter molestado a jovem e matado o namorado dela.

Outro lado

Desde que foi preso, em 17 de fevereiro deste ano, Ferreira Pinto nega autoria do crime. Porém, a polícia informou que caberá à Justiça decidir se ele deve ou não ser solto.

Na ocasião, o advogado Nilton Ribeiro de Souza disse à Folha Online que seu cliente estava a 22 km de distância do local do crime no dia, trabalhando na empresa do irmão, uma distribuidora de chope localizada no município de Pontal do Paraná, vizinho a Matinhos.

De acordo com o advogado, o cliente é portador de hepatite C e não tem condições físicas de percorrer caminhos acidentados como o da trilha onde o ataque foi cometido.

A reportagem ainda não localizou o advogado de Unfried para comentar o caso. Assim que a defesa dele se manifestar, se é que o fará, sua versão sobre os fatos será incluída neste texto.

 

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