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Cotidiano
03/07/2009 - 22h31

Acusados de matar estudante em Ouro Preto (MG) se dizem inocentes em julgamento

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BRENO COSTA
da Agência Folha, em Ouro Preto

No terceiro dia de julgamento dos quatro acusados de terem assassinado, em 2001, a estudante Aline Silveira Soares, 18, em Ouro Preto (107 km de Belo Horizonte), três dos réus negaram participação no crime e criticaram as investigações conduzidas pela polícia e a cobertura da imprensa no caso.

A quarta acusada, prima de Aline, ainda não havia sido interrogada até o começo da noite de sexta-feira. O julgamento não tinha previsão de término, mas a tendência é que o veredicto só seja anunciado neste sábado (4).

O salão do tribunal tem capacidade para cerca de 80 pessoas sentadas, mas o julgamento foi acompanhado por mais de 120 pessoas, entre familiares, estudantes de direito e moradores da cidade. Uma fila com outras 40 pessoas, aproximadamente, foi formada à tarde, na entrada do fórum, aguardando vaga na sala do julgamento.

Crime

O corpo de Aline foi encontrado nu em um cemitério da cidade em 14 de outubro de 2001, com 17 perfurações pelo corpo. Moradora de Manhumirim (MG), ela tinha chegado a Ouro Preto três dias antes para uma festa de universitários. Com ela, foram a prima, Camila Dolabella Silveira, hoje com 26 anos, e uma amiga. Elas ficaram na república onde os outros três acusados moravam.

A Promotoria diz que o crime foi motivado por um ritual relacionado ao jogo RPG ("role playing game", em que participantes simulam uma realidade paralela) e que os acusados eram simpatizantes de satanismo.

Todos os acusados respondem ao processo em liberdade. Os três interrogados --Edson Poloni Lobo de Aguiar, 27, Cassiano Inácio de Aguiar, 28, e Maicon Fernandes Lopes, 27-- afirmaram não saber o motivo pelo qual são acusados.

Na denúncia, a Promotoria não fala sobre a dinâmica específica da morte de Aline. As acusações se concentram na relação dos acusados com o jogo de RPG e rituais macabros. Cassiano e Maicon disseram que não eram jogadores de RPG. Todos negaram ter relação com rituais satânicos. Os acusados também disseram ter conhecido a vítima no dia em que ela chegou a Ouro Preto.

Defesa

A defesa dos acusados considera as provas apresentadas pelo Ministério Público insuficientes para a condenação. Se condenados, eles podem pegar até 30 anos de prisão.

O primeiro a se sentar no banco dos réus foi Édson Poloni, que hoje mora em Vitória (ES) e trabalha como vendedor. Na época do crime, estudava artes cênicas na Universidade Federal de Ouro Preto. Poloni chorou no fim de seu interrogatório e, dirigindo-se ao júri e à mãe de Aline, presente ao julgamento, afirmou ser inocente e querer "justiça".

Cassiano, segundo a ser interrogado, que hoje mora em Pindamonhangaba (SP) e trabalha como apicultor, disse estar no banco dos réus "por incompetência da polícia".

Ainda de acordo com Cassiano, a suposta relação do crime com RPG passou a ser a única linha de investigação da polícia. "Isso faz a imprensa vender jornal. Num caso como esse, de repercussão nacional, a polícia queria autopromoção."

 

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