Tribunal adia para sábado sentença de acusados de matar estudante em MG
da Folha Online
com Agência Folha
O TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) decidiu retomar neste sábado o julgamento dos quatro acusados de envolvimento na morte da estudante Aline Silveira Soares, 18, em Ouro Preto (107 km de Belo Horizonte). Com isso, chegará ao quarto dia a sessão, que foi iniciada na última quarta-feira (1º).
Nesta sexta-feira, terceiro dia de julgamento, três dos réus negaram participação no crime e criticaram as investigações conduzidas pela polícia e a cobertura da imprensa no caso. Última acusada a depor, a prima da vítima afirmou que não conhecia os réus e que esteve com a prima em uma festa antes de ela desaparecer.
O corpo de Aline foi encontrado nu em um cemitério da cidade em 14 de outubro de 2001, com 17 perfurações pelo corpo. Moradora de Manhumirim (MG), ela tinha chegado a Ouro Preto três dias antes para uma festa de universitários.
Com ela, foram a prima, Camila Dolabella Silveira, hoje com 26 anos, e uma amiga. Elas ficaram na república onde os outros três acusados moravam.
A Promotoria diz que o crime foi motivado por um ritual relacionado ao jogo RPG ("role playing game", em que participantes interpretam personagens de uma realidade paralela) e que os acusados eram simpatizantes de satanismo. Na denúncia, a Promotoria não fala sobre a dinâmica específica da morte de Aline. As acusações se concentram na relação dos acusados com o jogo de RPG e rituais macabros.
Todos os acusados respondem ao processo em liberdade. Os três interrogados --Edson Poloni Lobo de Aguiar, 27, Cassiano Inácio de Aguiar, 28, e Maicon Fernandes Lopes, 27-- afirmaram não saber o motivo pelo qual são acusados. Eles dizem que não eram jogadores de RPG e negaram ter relação com rituais satânicos.
Poloni, que hoje mora em Vitória (ES) e trabalha como vendedor, chorou no fim de seu interrogatório e, dirigindo-se ao júri e à mãe de Aline, presente ao julgamento, afirmou ser inocente. "Quero justiça de verdade", afirmou. Segundo o TJ, a previsão é de que o julgamento só termine na madrugada deste domingo.
Cassiano, segundo a ser interrogado, que hoje mora em Pindamonhangaba (SP) e trabalha como apicultor, disse estar no banco dos réus "por incompetência da polícia". Para ele, a suposta relação do crime com RPG passou a ser a única linha de investigação da polícia. "Isso faz a imprensa vender jornal. Num caso como esse, de repercussão nacional, a polícia queria autopromoção."
A defesa dos acusados considera as provas apresentadas pelo Ministério Público insuficientes para a condenação. Se condenados, eles podem pegar até 30 anos de prisão.
Mais de 120 pessoas, entre familiares, estudantes de direito e moradores da cidade acompanharam o julgamento. Uma fila com outras 40 pessoas, aproximadamente, foi formada à tarde, na entrada do fórum, aguardando vaga na sala do julgamento.
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