Polícia ouve depoimento de médico suspeito de negar atendimento a grávidas no Rio
DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio
Um obstetra do hospital municipal Miguel Couto, na zona sul do Rio, poderá ser condenado a até oito anos de prisão por recusar atendimento a três grávidas em situação de emergência, na última quinta-feira (2). Segundo o chefe de investigação da 14ª DP (Leblon), inspetor André de Oliveira, o profissional terá que responder por homicídio culposo (sem intenção), caso seja confirmado que a morte de um dos bebês aconteceu devido à omissão de socorro.
Ainda de acordo com o policial, o médico será convocado para prestar depoimento ainda nesta segunda-feira na delegacia do Leblon. "Já mandamos uma equipe atrás dele no hospital Miguel Couto. Também aguardamos a apresentação da família da mãe que perdeu o bebê", disse.
Na ocasião, o médico --cujo nome não foi revelado-- escreveu nos braços das mulheres o nome do hospital e o número das linhas de ônibus que deveriam pegar para seguir até outra unidade.
"Está sendo analisado o inquérito criminal. Inicialmente seria homicídio culposo com pena de até oito anos de prisão em decorrência da negligência dele [obstetra] resultar na morte do neném. Mas, teremos vários desdobramentos para saber se o bebê já saiu sem vida do útero da mãe. Isso tudo será investigado através do laudo médico", afirmou Oliveira.
A paciente Manuela Costa, 29, apresentava um grave quadro de descolamento da placenta e acabou perdendo o bebê, uma menina, no sétimo mês de gestação, segundo os médicos. Ela e outras duas mulheres grávidas foram orientadas pelo obstetra a buscar atendimento na maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão, na zona norte do Rio.
Ele rabiscou em seus braços o nome da unidade que deveriam buscar e as linhas de ônibus que as levariam até o local. A denúncia foi feita por um médico da maternidade que ficou indignado com o ocorrido.
"Temos que esperar ela [Manuela Costa] se recuperar no hospital para chamá-la na delegacia. Por enquanto, aguardamos o contato da família dela", afirmou o chefe de investigação da 14ª DP (Leblon).
A Secretaria Municipal de Saúde informou na tarde de domingo (5) que já afastou o médico das suas atividades no hospital até o fim da sindicância.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), afirmou que não há crise no sistema público de Saúde do município que justifique a omissão de um dos médicos de plantão no hospital municipal Miguel Couto ao prestar atendimento.
Internada
A Secretaria Municipal de Saúde informou que Manuela Costa permanece internada na maternidade Fernando Magalhães.
Segundos os médicos, ela voltou a ser transferida para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da unidade na tarde deste domingo (5) por causa de uma anemia que exigia uma transfusão de sangue, mas não corre risco de morrer.
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