Segurança foi primeiro a chegar onde milionário da Mega-Sena foi morto, diz testemunha
DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio
O TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio) informou que três testemunhas de acusação já foram ouvidas na tarde desta segunda-feira pela juíza Roberta dos Santos Braga Costa durante o julgamento dos dois ex-seguranças do ganhador da Mega-Sena, Renné Senna, 54, no Tribunal do Júri do Fórum de Rio Bonito (RJ). Segundo o TJ, uma das testemunhas disse que o primeiro conhecido a chegar à cena do crime foi um segurança da fazenda da vítima, que não teve o nome divulgado.
O ex-motorista, Ednei Gonçalves Pereira e o ex-policial militar Anderson Silva de Souza são acusados de serem os autores dos disparos que mataram o milionário em janeiro de 2007. A mulher da vítima, Adriana Almeida, é apontada como a mandante do crime.
Uma das testemunhas ainda afirmou que a filha de Renné, Renata Senna, chegou acompanhada do namorado ao local do crime e, em seguida, a viúva Adriana Almeida apareceu no bar onde ocorreu o assassinato. Segundo o tribunal, o julgamento já dura mais de quatro horas e não tem hora para terminar.
Por volta das 12h, os sete jurados (cinco mulheres e dois homens) já haviam sido escolhidos por sorteio para o caso.
Ainda de acordo com informações do TJ, a juíza recomeçou a sessão às 13h30, após um intervalo de almoço, tomando o depoimento das testemunhas de acusação. Segundo o órgão, há um total de 19 testemunhas, sendo 12 de defesa.
Entre as testemunhas de defesa do ex-PM Anderson Souza estão Renata Senna, filha de Renné, e Miguel Senna, irmão da vítima. Segundo a assessoria do tribunal, os réus foram retirados do tribunal a pedido das testemunhas durante os dois primeiros depoimentos.
O TJ também informou que a previsão é que o julgamento dure de dois a três dias. Os acusados foram denunciados por homicídio duplamente qualificado --motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima-- e furto qualificado.
Segundo a denúncia (acusação formal) do Ministério Público, além da viúva e dos ex-seguranças da vítima, mais três pessoas estavam envolvidas no crime: os policiais militares Marco Antônio Vicente e Ronaldo Amaral de Oliveira, além da professora de educação física Janaína Silva de Oliveira, mulher de Anderson. Estes, porém, entraram com recursos e ainda não têm data prevista para serem julgados.
Crime
Ganhador de R$ 51,8 milhões da Mega-Sena em 2005, Renné Senna foi morto a tiros ao ser surpreendido quando tomava cerveja em um bar, na localidade de Lavras, Rio Bonito. A denúncia afirma que, após o crime, Anderson e Ednei pegaram uma pochete da vítima, contendo em seu interior uma arma e determinada quantia de dinheiro.
As interceptações telefônicas apontaram o encontro pessoal de Adriana com Anderson e Janaína no dia 6 de janeiro, horas antes do assassinato. Segundo o Ministério Público, a prova desmente a versão apresentada pela viúva de que não teria mantido contato com o casal após Anderson ter sido desligado da segurança da vítima.
Segundo o Tribunal de Justiça, algumas atitudes de Adriana pesaram contra a suspeita, como ter abandonado a fazenda onde vivia com o milionário dois dias antes do crime, em razão de forte briga com René; a transferência de valores da conta conjunta do casal para uma conta pessoal logo após o assassinato e a contratação de um advogado criminalista para sua defesa horas depois do homicídio.
Leia mais
Leia outras notícias da editoria de Cotidiano
- Casos de gripe suína chegam a 905 no Brasil; ministério muda divulgação
- Supremo nega liberdade a acusado de passar Aids para duas namoradas
- Corpo de diretor da Vale vítima do voo 447 chega em Conselheiro Lafaiete (MG)
Especial

