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Cotidiano
06/07/2009 - 21h40

Carnaval de Salvador (BA) agrava fissuras no Farol da Barra, diz estudo

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MATHEUS MAGENTA
da Agência Folha, em Salvador

O volume das músicas tocadas em trios elétricos no Carnaval de Salvador tem agravado fissuras na estrutura física do Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos da cidade, segundo um estudo feito na UFBA (Universidade Federal da Bahia). A fortificação, erguida em 1534 para defender a primeira capital do Brasil de invasões, está localizada no início do trajeto de um dos circuitos do Carnaval baiano.

De acordo com pesquisa do arquiteto Mário Mendonça de Oliveira, professor da UFBA, o material usado na construção, como argamassa de cal e pedra bruta, é pouco resistente e pode ser afetado pelos trios elétricos e shows realizados no local. O principal causador de fissuras na estrutura são as erosões do solo. Ele recomenda a paralisação de shows no local enquanto uma reforma não for feita.

"Durante o Carnaval é possível ver as latinhas de cerveja 'pulando' em cima dos isopores. Imagine então uma estrutura que tem mais de 450 anos em cima de um solo erodido", diz Oliveira. O estudo foi feito a pedido da Marinha, responsável pela edificação.

Um levantamento feito pela ONG Associação Brasileira dos Amigos das Fortificações Militares e Sítios Históricos apontou problemas estruturais em outros cinco fortes na capital baiana, mas apenas o farol está localizado nas proximidades dos circuitos do Carnaval.

Segundo o professor, há um plano de reforma na fortificação. Ele descarta o risco de desabamento imediato do prédio.

Cláudio Tinoco, presidente da Saltur, órgão da Prefeitura de Salvador responsável também pela organização de shows na cidade, diz que desconhece o estudo sobre o farol e que não pode tomar uma decisão antes de analisá-lo. Disse ainda que tem uma "preocupação constante" com o patrimônio histórico da cidade.

Para Anésio Leite, diretor-presidente da ONG Amigos das Fortificações, faltam projetos e verbas para evitar a deterioração das fortificações militares. "A situação crítica dessas edificações é visível a olho nu, não precisa nem de estudo."

O forte de Santo Antônio da Barra, que abriga o Farol da Barra e o Museu Náutico, recebe 90 mil visitantes por ano.

 

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