Ex-médico é condenado no DF por mortes em lipoaspirações
da Folha Online
da Folha de S.Paulo, em Brasília
Atualizado às 13h03.
O Tribunal do Júri de Taguatinga (DF) condenou o ex-médico Marcelo Caron, acusado pelas mortes de Grasiele Murta Oliveira, 26, e de Adcélia Martins de Souza, 39, ocorridas em 2002 durante cirurgias plásticas em Brasília. Apesar da sentença, ele permanece em liberdade.
Caron foi condenado a 14 anos e meio de prisão por morte, mais um ano devido ao exercício ilegal de medicina. Segundo a Justiça, ele deve cumprir 29 anos em regime fechado e um, em regime aberto. No entanto, o acusado poderá apelar da sentença em liberdade.
Denúncia do Ministério Público acusava Caron por homicídio qualificado (por motivo torpe), omissão e exercício ilegal da medicina --que poderiam render de 12 a 30 anos de prisão. A defesa diz que vai recorrer da condenação, divulgada após mais de 15 horas de julgamento.
Ao ser interrogado pelo juiz Germano de Holanda, ele negou erro médico e disse que nenhum dos procedimentos acarretou a morte das pacientes. "Eu nunca acreditei que o raio caía duas vezes no mesmo lugar, mas caiu duas, três, quatro vezes", disse, sobre as mortes.
Acusação
Segundo a Promotoria, Caron começou a realizar cirurgias de lipoaspiração e mamoplastia em março de 2000, em Goiânia, com pouco mais de dois anos de exercício profissional e sem qualquer aperfeiçoamento técnico-científico. Ele teve o registro de médico cassado em 2002.
Durante o julgamento, o promotor Luciano Jubé de Moura exibiu fotos das vítimas registradas no laudo do IML (Instituto Médico Legal) para sustentar a acusação. Segundo ele, "a mão bruta de Marcelo Caron teria perfurado [e causado lesões]" em órgãos vitais da paciente.
"Essas lesões teriam sido a causa da morte da vítima ainda na mesa de cirurgia, após hemorragia e uma parada cardiorrespiratória", afirmou. O ex-médico negou as acusações e afirmou que a necropsia foi conduzida de maneira errada pelos legistas.
Condenações
Em abril, Caron foi condenado a oito anos de prisão em regime semiaberto pela morte de uma advogada em uma cirurgia de lipoescultura em Goiânia, em janeiro de 2001. Em maio deste ano, ele foi condenado por usar um falso diploma de especialização em cirurgia plástica.
Em 2005, quando foi preso, ele afirmou que não teve culpa nas mortes e que adotou os procedimentos corretos nas operações. Após a sentença do juiz do TJ-DF, ele não foi preso, isso porque ficou em liberdade durante o processo.
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