Polícia prende acusado de traficar fuzis para traficantes de favelas do Rio
DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio
A Polícia Civil do Rio anunciou nesta quinta-feira a prisão de Antônio Gonçalves dos Santos, conhecido como Toni, apontado como um dos principais traficantes de armas do país. Ele foi preso no último domingo (5). O faturamento médio mensal do suspeito é de aproximadamente R$ 2 milhões.
O subchefe operacional da Polícia Civil do Rio, Carlos Oliveira, afirmou que apenas no período entre junho e julho foram apreendidos 40 fuzis de calibre ponto 30, alguns com o brasão da república da Bolívia, que seriam enviados para favelas de várias regiões do Estado, principalmente para o complexo do Alemão, na zona norte da cidade.
"O fuzil de calibre ponto 30 é feito para o apoio de infantaria. Ele não foi feito para efetuar tiro aéreo, mas pode ser utilizado para essa especialidade e pode até derrubar uma aeronave", afirmou Oliveira.
Ainda segundo o subchefe da polícia, a maioria das armas pertencem às Forças Armadas bolivianas. "Foram encontradas metralhadoras ponto 30, no valor de 30 mil dólares cada uma, pistolas, de US$ 600 a US$ 700 dólares [que são vendidas em média a R$ 900 no Brasil], além de fuzis AK-47, que custa em média R$ 60 mil cada", disse.
A polícia, porém, não soube informar quantas pessoas participam da quadrilha do preso, que tem ramificações em Caldas Novas (GO) e Uberlândia (MG).
Segundo a polícia, o traficante foi preso quando iria negociar uma nova encomenda em um shopping de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
"A rota principal dele era Bolívia, Paraguai, via Dutra em São Paulo, avenida Brasil no Rio e favelas cariocas e fluminenses. Ele também mandava as armas por caminhos alternativos como pela BR-040 e percorria mais de 1.000 km", afirmou Oliveira.
Santos também é acusado de chefiar o tráfico de drogas em pelo menos sete favelas do Rio como Cantagalo (zona sul) e complexo da Vila Cruzeiro (zona norte), além de comunidades em Niterói.
"Ontem mesmo nós tivemos um crime que possivelmente aconteceu com uma dessas armas encomendadas num assalto a banco nas proximidades do complexo da Vila Cruzeiro, que resultou na morte de uma menina de 13 anos", disse o policial sobre a adolescente que morreu na noite desta quarta-feira (8) que foi atingida por uma bala perdida durante um assalto a uma agência do Bradesco na Praça do Carmo.
Segundo o subchefe da polícia, a quadrilha do criminoso costumava transportar as armas em caminhões e carros de passeio com um fundo falso. "Esse é um padrão no tráfico de armas dependendo do lote, se for muito grande vem em veículos maiores com outras mercadorias. Se for um lote pequeno, eles já utilizam veículos médios ou de passeio com compartimentos improvisados no tanque de combustível, no porta-malas, caixa de ar-condicionado e painéis", disse Oliveira.
O subchefe da Polícia Civil também afirmou que a polícia brasileira já entrou em contato com as autoridades bolivianas, mas ainda não tiveram retorno. "Vamos continuar trabalhando para combater o tráfico de armas com o apoio da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, mas é difícil impedir a entrada delas [armas] por países vizinhos por causa da extensão das nossas fronteiras", ressaltou.
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