Acordo com farmacêutica prevê produção de vacinas no Brasil
DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O grupo farmacêutico britânico GlaxoSmithKline anunciou nesta segunda-feira uma parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para novas pesquisas e desenvolvimento de vacinas, entre elas uma contra a dengue.
Uma nova vacina, que será introduzida ano que vem no PNI (Plano Nacional de Imunização), será indicada para crianças a partir das seis semanas, antes de completar 1 ano de idade, para proteger contra infecções causadas pela bactéria "S. pneumoniae", que pode provocar pneumonia, meningite e infecção do ouvido.
"Estima-se que teremos uma redução de internações, consultas e exames a partir do momento que essa vacina estiver incorporada. Também teremos uma redução de óbitos que vai impactar inclusive a taxa de mortalidade de menores de cinco anos no Brasil, que é uma das metas e objetivos do milênio", afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, após assinar o acordo com o grupo farmacêutico britânico na Fiocruz, no Rio.
Segundo o ministro, o acordo também prevê a transmissão de tecnologia à Fiocruz para a produção da vacina com dez sorotipos (dez vacinas em uma), que atualmente é comercializada em quatro doses com sete sorotipos por cerca de R$ 500. No ano que vem, o governo vai repassar gratuitamente a vacina produzida pelo grupo GlaxoSmithKline.
"Se espera que haja uma redução de mortalidade por ano de cerca de 10 mil casos no Brasil, que envolve tanto crianças abaixo de cinco anos como também adultos que pegam a doença através do contato com crianças e atinge idosos que também tem processos de mortalidade em função dessa contaminação. Serão cerca de 13 milhões de doses para o país por ano", afirmou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha.
Investimento
O Ministério da Saúde informou que o projeto terá um investimento de R$ 400 milhões do governo e cerca de R$ 92 milhões do grupo farmacêutico GlaxoSmithKline. O acordo ainda inclui a produção nacional da vacina com a transferência de tecnologia, que deve ficar pronta em até oito anos.
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"Só na área de otite média (inflamação de ouvido) a maior parte do atendimento clínico é feito na área pediátrica. Nós achamos que esse volume será muito significativo e equilibrará o investimento que está sendo feito pelo ministério", disse Gadelha.
De acordo com a Fiocruz, o pneumococo é responsável direto pela morte de um milhão de crianças com menos de 5 anos de idade no mundo, sobretudo nos países com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). No Brasil, ocasiona anualmente a hospitalização de cerca de 20 mil pacientes com pneumonia, 3 milhões de casos de otite média aguda e cerca de 3.000 ocorrências de meningite entre menores de 5 anos.
Vacina contra dengue
O acordo também prevê uma parceria científica entre Fiocruz e o grupo GlaxoSmithKline para o desenvolvimento tecnológico de imunizantes para dengue, malária e uma tecnologia mais moderna para a febre amarela, cuja vacina já é produzida pela fundação. Especialistas da Fiocruz disseram acreditar que essas vacinas fiquem prontas em até dez anos.
"Essas pesquisas vão ser uma parceria tanto daquilo que a GSK já vem desenvolvendo como com alguns projetos de pesquisa que a Fiocruz vem fazendo. A associação desses esforços vai criar uma sinergia e a possibilidade de antecipar o período de resposta com relação a dengue. No caso da febre amarela e malária, esses períodos vão depender muito de como essas soluções vão poder demonstrar se elas foram bem sucedidas. Existe uma aposta a longo prazo", disse o presidente da Fiocruz.
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