Polícia responsabiliza funcionários de zoológico por mortes de animais em Goiás
DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio
Atualizado às 23h05.
A Dema (Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente) enviou nesta sexta-feira à Justiça o relatório final do inquérito sobre a morte de 70 animais neste ano no zoológico de Goiânia (GO). Segundo o documento, não houve uma ação organizada para as mortes e a hipótese de envenenamento foi descartada.
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O delegado titular da Dema, Luziano Carvalho, afirmou que mandou realizar exames em 14 animais mortos. Ele afirmou que cinco morreram por causa de anestesias aplicadas em janeiro deste ano.
"Os procedimentos médicos foram realizados durante um módulo do curso de pós-graduação em Medicina de Animais Selvagens e Exóticos, do Instituto Qualitas e o professor José Ricardo Pachaly foi responsabilizado pelas mortes", disse o delegado por telefone.
Além de Pachaly, foram responsabilizados também o diretor do zoológico, Raphael Cupertino, dois veterinários, e mais um funcionário do setor de limpeza. Eles não foram indiciados porque, segundo o delegado, a lei de crime ambiental não prevê modalidade culposa (sem intenção), apenas dolosa (com intenção).
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"Não chegou a modalidade dolosa porque eles não tiveram a intenção de matar. Nos 14 casos, há responsabilidade humana. Se os animais não tivessem sido anestesiados essas mortes não aconteceriam. Houve negligência em algum momento. Ano passado, 100 animais morreram e 46 nasceram, ou seja, morre mais bichos do que nasce", disse o delegado.
Outro animal, um bisão, também morreu devido a uma anestesia feita para a realização de exames, segundo o laudo. De acordo com a Dema, esse procedimento, no entanto, foi realizado por veterinários do zoológico.
O inquérito policial também concluiu que a morte de um hipopótamo foi causada por tuberculose, mas que não houve um foco da doença no parque. Nove tracajás e uma tartaruga da Amazônia foram vítimas de ataques noturnos de predadores, apontou o relatório.
Carvalho ainda afirmou que, durante as investigações, os tanques onde os animais ficavam foram desligados à noite, propiciando o ataque de predadores, cujas marcas das patas ficaram no solo.
A morte de uma girafa foi atribuída a uma anemia crônica, possivelmente causada por subnutrição. O animal foi apreendido em um circo de Brasília que já havia sido indiciado em 2007 por maus tratos.
Outro lado
Raphael Cupertino, que é responsável pelo zoológico há quatro anos, negou responsabilidade e negligência nas mortes.
Ele disse que os mamíferos que morreram após anestesia já apresentavam problemas de saúde. Sobre o esvaziamento do tanque onde estavam os tracajás e a tartaruga, afirmou que esse tipo de manejo já tinha ocorrido antes e classificou o caso de "uma infelicidade".
A direção do Parque Zoológico de Goiânia informou que os procedimentos de anestesia nos seis animais ocorreram após solicitação do Ibama para que exames fossem realizados.
Em julho, uma investigação da Polícia Federal e do Ibama não apontou responsáveis pelas mortes dos animais. A Prefeitura de Goiânia é responsável pelo parque, construído há cerca de 50 anos.
Com a Agência Folha
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