Assalto a haras termina com duas mortes em Limeira (SP)
MAURÍCIO SIMIONATO
da Agência Folha
Uma tentativa de assalto a um haras em Limeira (151 km de São Paulo) na noite de quinta-feira (24) terminou com a morte de dois criminosos e a prisão de outros dois. Um quinto assaltante conseguiu fugir.
A quadrilha invadiu o haras Ponta das Canas, na rodovia Anhanguera, por volta das 20h30. Os assaltantes renderam um caseiro e fizeram nove reféns --três deles crianças.
O grupo também danificou câmeras do sistema de segurança, mas deixou algumas em funcionamento. Alertado pelas imagens, o administrador do haras, de sua casa a 3 km do local, acionou a Polícia Militar.
A quadrilha trocou tiros com a PM quando se preparava para fugir em dois carros cheios de aparelhos eletrônicos, joias e alimentos. Dois criminosos morreram no tiroteio, dois foram presos e um fugiu do cerco de pelo menos 40 policiais e guardas municipais.
Os policiais cercaram o local por volta das 22h. Os criminosos estavam armados com pistolas, revólveres e uma espingarda. Nenhum refém ou policial ficou ferido.
A Polícia Civil suspeita do envolvimento de outros criminosos, já que os cinco assaltantes invadiram o haras a pé, pelo quilômetro 141 da Anhanguera.
Para a polícia, os alvos da quadrilha não eram os 25 cavalos de corrida "puro sangue inglês" tratados no local. Em geral, animais treinados dessa raça podem custar de R$ 2.500 a R$ 30 mil, valor que pode subir com a conquista de prêmios.
O administrador do haras, Luiz Aparecido Ribeiro, 47, que trabalha no local há seis anos, disse que os reféns foram ameaçados de morte.
Entre os reféns estava o dono do haras, o publicitário Paulo Afonso Antunes Júnior, 60, a mulher dele, uma filha do casal, a babá e a sogra de Antunes Júnior. Também foram rendidos o caseiro, a mulher e duas filhas. As duas famílias moram no local.
O administrador contou que o haras funciona há cerca de 17 anos. "Indiquei os caminhos para a que a polícia cercasse a casa. O que salvou foram algumas câmeras de segurança que ficaram ligadas dentro da casa porque os criminosos acharam que o sistema só era acionado por alarme", disse.
O haras mede cerca de 200 mil m², o equivalente, por exemplo, a dois estádios do Morumbi.
Investigadores de Limeira começaram a ouvir testemunhas nesta sexta-feira. Eles também devem analisar imagens registradas nas câmeras de segurança para investigar a possível participação da quadrilha em crimes semelhantes praticados no interior de São Paulo nos últimos anos.
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