Incêndios atingem áreas de floresta em Manaus (AM); seca agrava situação
KÁTIA BRASIL
da Agência Folha, em Manaus
Os incêndios que vêm provocando uma extensa nuvem de fumaça na região de Manaus (AM) já atingiram áreas de floresta primária ou mata virgem (vegetação em que ação humana ainda não provocou significativas alterações).
Em sobrevoo a cinco municípios realizado nesta semana, fiscalização do Ibama detectou queimadas em Manaus, Itacoatiara, Manacapuru, Careiro e Caapiranga. Árvores de 30 a 40 metros de altura foram vistas pegando fogo na floresta amazônica do município de Autazes.
Uma névoa seca de poluição encobre Manaus há um mês. A fumaça é tanta que o Exército hasteou a bandeira preta, que significa baixa qualidade do ar, e suspendeu as atividades físicas dos soldados. O aeroporto internacional precisou restringir operações nas últimas semanas devido à falta de visibilidade.
Apesar de o governo estadual e empresas privadas investirem em programa de desmatamento zero, a população faz queimadas em áreas proibidas da forma mais rudimentar. "A gente se espantou com a quantidade de fumaça que sai da floresta. Tem focos grande de fogo, é preocupante. A comunidade precisar se mobilizar para apagar esses focos", disse Abner de Souza, chefe da Divisão de Controle e Fiscalização.
Uma força-tarefa foi criada para combater os incêndios e desmatamento. O Monitoramento de Queimadas por Satélite do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrava pelo menos 134 focos no Amazonas. O número de focos superou os de Rondônia: 114. Nesta sexta-feira, os focos diminuíram para 16 contra seis do Estado vizinho devido a chuvas na região.
Os incêndios na floresta primária são provocados por agropecuaristas e invasores de terra. Eles preparam os terrenos para plantação ou pasto através das queimadas. Como o clima está muito seco devido à estiagem atípica, perdem o controle do fogo.
"As pessoas pensam que têm o controle de tudo. Quando a floresta começa a ficar suscetível aos incêndios é muito mais difícil voltar atrás", disse Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.
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