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Cotidiano
17/10/2009 - 13h52

Incêndio no Rio destrói 90% da obra do artista plástico Hélio Oiticica

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da Agência Brasil

Um incêndio ocorrido na noite de sexta-feira (16) na casa do arquiteto César Oiticica, no bairro do Jardim Botânico, zona sul do Rio, destruiu grande parte do acervo de uma dos mais importantes artistas plásticos brasileiros, Hélio Oiticica. De acordo com o arquiteto, irmão de Hélio, toda o acervo do artista que estava guardado no local, avaliado em US$ 200 milhões, foi perdido. O material, mantido numa sala com controle de umidade e temperatura, corresponderia a 90% da obra do pintor, escultor e artista conceitual, que morreu em 1980.

César Oiticica disse que estava jantando quando foi alertado por uma empregada sobre o fogo. As causas do incêndio são desconhecidas.

Segundo César, a sala onde estavam guardadas as obras era adaptada para funcionar como uma reserva técnica e não havia nada de inflamável no local. Os bombeiros foram chamados, mas quando chegaram o fogo já havia destruido o acervo.

"O valor perdido em dinheiro não significa nada, comparado à perda de obras que o mundo inteiro vai lastimar", afirmou.

Um dos artistas plásticos brasileiros de maior renome internacional, com obras expostas em vários países, o carioca Hélio Oiticica, nascido em 1937, participou nos anos 50 do movimento neoconcretista, ao lado de nomes como Ligia Clark, Amilcar de Castro e Ferreira Gullar. Nos anos 60, ficou conhecido por obras conceituais, como as capas coloridas chamadas por ele de "parangolés" e instalações, os "penetráveis". Também foi um dos inspiradores do movimento tropicalista, em 1968.

Na década de 70, Hélio Oiticica morou durante oito anos em Nova York. De volta ao Rio, morreu em 22 de março de 1980.

Um ano após sua morte, foi criado no Rio o Projeto Hélio Oticica, para preservar a obra do artista. A Prefeitura do Rio criou, em 1996, o Centro de Artes Hélio Oiticica, instalado num prédio do século 19, próximo à Praça Tiradentes, no centro do Rio. Além de exposições temporárias, o espaço abriga uma parte pequena do acervo de Hélio Oiticica.

Comentários dos leitores
cesar augusto (1) 19/10/2009 16h29
cesar augusto (1) 19/10/2009 16h29
Inversão de valores; Recentemente uma favela em São Paulo com centenas de barracos (moradias) de centenas de pessoas pega fogo, não sobra nada. Era tudo que aquela gente tinha, roupas, móveis, comida, documentos, lembranças, memórias, cama, teto. Aí no jornal eu ouvi alguém dizer: "Não morreu ninguém, senão teria sido uma tragédia". Veja bem: TERIA SIDO... Aí um monte de LIXO como objetos de plástico, madeira e outros materiais pega fogo em um único quarto de uma casa de uma familia de burgueses. O lixo era nada mais que criações de um cara que teve sorte na vida, deu certo...e foi considerado um grande artista e gênio. Chegam a ter a cara de pau de dizer que o prejuízo foi de mais de 300 MILHÕES..um valor muito maior do que todos os barracos que queimaram na favela juntos, com toda a história e pertences de tanta gente que não teve a mesma sorte do "GÊNIO", gente que trabalha duro a vida inteira e o máximo que consegue é morar na favela...aí a gente ouve várias pessoas, intelectualóides com voz embargada e lágrimas nos olhos falarem em uma verdadeira TRAGÉDIA, CATÁSTROFE para a cultura, para as artes, para a história do Brasil, para a história do criador das "obras"...enfim...o mundo é louco...ou será que sou eu? sem opinião
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ernani sefton campos (117) 19/10/2009 13h59
ernani sefton campos (117) 19/10/2009 13h59
Estranho muito estas manifestações de pesar e lamentos,sobre a perda das Obras de Oiticica.
Mas revendo o atual local e disposição do acervo,não consigo conceber, que TAIS RIQUEZAS,estavam inadequadamente,ZELADAS.
Não tinham apólice de seguro,guardadas em um apartamento de residencias, sem seguranças, etc...
Será que valiam TANTO, assim ?
Se verdadeiro, por que não direcionaram a um òrgão Cultural,formaram uma empresa gestora, desta FORTUNA e guardaram adequadamente?
A familia guardadora tinha recursos, para manter e zelar, pelo Patrimônio ? às vezes, tem para sua manutenção,mas não chega para o Patrimonio.
É normal.Estamos no Brasil.
Mas como vemos, agora " A INÊS é MORTA " .
Talvez, ainda se salve algum ""rescaldo", o que espero,para manter a lembrança, do ARTISTA.
sem opinião
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