Incêndio no Rio destrói obras de Hélio Oiticica; veja a repercussão
da Folha de S.Paulo
Colaboração para a Folha Online
Diversos artistas e autoridades brasileiros lamentaram o incêndio que destruiu parte do acervo do artista plástico Hélio Oiticica (1937-1980) ocorrido entre a noite de sexta-feira (16) e a madrugada de sábado (18) na casa de seu irmão, o arquiteto César Oiticica, no Jardim Botânico, zona sul do Rio. Leia abaixo a repercussão do caso. O material perdido corresponderia a 90% da obra do pintor, escultor e artista conceitual, que morreu em 1980.
"É como se um pedaço de cada artista brasileiro tivesse se incendiado também. É uma tragédia cultural", disse o também artista plástico Cildo Meireles. Para o professor da USP Tadeu Chiarelli, trata-se de "uma perda lastimável para se entender a arte internacional".
Segundo César, que dirige o Projeto Hélio Oiticica, instituição criada em 1981 para cuidar dos trabalhos do artista, o acervo da casa destruída reunia mais de mil obras - centenas foram queimadas. Ele estima a perda em US$ 200 milhões.
César Oiticica disse que estava jantando quando foi alertado por uma empregada sobre o fogo. As causas do incêndio são desconhecidas.
O fogo começou por volta das 23h de sexta-feira. O Corpo de Bombeiros chegou 20 minutos depois e teve dificuldades para controlar o fogo. "Tiveram que pegar água da piscina do meu vizinho", afirmou César. Os bombeiros só conseguiram apagar totalmente as chamas por volta de 2h30 de sábado.
Segundo César, a sala onde estavam guardadas as obras era adaptada para funcionar como uma reserva técnica e não havia nada de inflamável no local. Os bombeiros foram chamados, mas quando chegaram o fogo já havia destruído o acervo.
A casa abrigava pinturas, desenhos e toda a obra concebida nos anos 60. Parangolés, bólides e bilaterais, um dos destaques da produção do artista, estão em estado irrecuperável. Os penetráveis, obras maiores de Oiticica, que integraram a exposição "Penetráveis", no centro municipal de Arte Hélio Oiticica, no centro do Rio, permaneceram no espaço e foram salvos. Os que estavam na casa foram parcialmente destruídos. Os desenhos foram encontrados em bom estado.
Trajetória
Um dos artistas plásticos brasileiros de maior renome internacional, com obras expostas em vários países, o carioca Hélio Oiticica, nascido em 1937, participou nos anos 50 do movimento neoconcretista, ao lado de nomes como Ligia Clark, Amilcar de Castro e Ferreira Gullar.
Também foi um dos inspiradores do movimento tropicalista, em 1968.
Na década de 70, Hélio Oiticica morou durante oito anos em Nova York. De volta ao Rio, morreu em 22 de março de 1980.
Um ano após sua morte, foi criado no Rio o Projeto Hélio Oiticica, para preservar a obra do artista. A Prefeitura do Rio criou, em 1996, o Centro de Artes Hélio Oiticica, instalado num prédio do século 19, próximo à Praça Tiradentes, no centro do Rio. Além de exposições temporárias, o espaço abriga uma parte pequena do acervo de Hélio Oiticica.
Repercussão
"Oiticica é tudo. Estou em estado de choque. É uma fatalidade."
Lisette Lagnado, curadora da 27ª Bienal
"É uma perda lastimável para se entender a arte internacional. Oiticica deixou as fronteiras da arte brasileira."
Tadeu Chiarelli, curador e professor da USP
"É como se um pedaço de cada artista brasileiro tivesse se incendiado também. É uma tragédia cultural."
Cildo Meireles, artista
"A única forma de sair dessa tragédia é replicar as obras conceituais."
Roberto Aguilar, artista plástico
"Não sei quais eram as condições da casa. Vamos pedir um laudo para fazer um diagnóstico."
José do Nascimento Júnior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus, ligado ao Minc
"É desastroso. Mais um fato que mostra como é frágil a relação entre o público e o privado. Por que as famílias têm tanto poder sobre o legado de um artista já morto?"
Martin Grossmann, diretor do Centro Cultural São Paulo
"O lamentável nesse incêndio é que destruiu uma das contribuições mais originais, inventivas e audaciosas da arte brasileira."
Ferreira Gullar, poeta e companheiro de Oiticica no neoconcretismo
"Acho lamentável. O Hélio tem uma importância fundamental."
Leda Catunda, artista plástica


avalie fechar
Mas revendo o atual local e disposição do acervo,não consigo conceber, que TAIS RIQUEZAS,estavam inadequadamente,ZELADAS.
Não tinham apólice de seguro,guardadas em um apartamento de residencias, sem seguranças, etc...
Será que valiam TANTO, assim ?
Se verdadeiro, por que não direcionaram a um òrgão Cultural,formaram uma empresa gestora, desta FORTUNA e guardaram adequadamente?
A familia guardadora tinha recursos, para manter e zelar, pelo Patrimônio ? às vezes, tem para sua manutenção,mas não chega para o Patrimonio.
É normal.Estamos no Brasil.
Mas como vemos, agora " A INÊS é MORTA " .
Talvez, ainda se salve algum ""rescaldo", o que espero,para manter a lembrança, do ARTISTA.
avalie fechar