Marginal Tietê deveria ter corredor de ônibus, afirma professor
EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo
Os impactos das obras na marginal Tietê são inevitáveis, segundo especialistas ouvidos pela Folha. Ontem, as faixas das pontes da Casa Verde, Freguesia do Ó e Vila Maria foram interditadas e, segundo a CET, o trânsito na marginal aumentou 31% entre as 7h e as 11h de ontem.
- Interdição de pontes eleva tráfego em vias alternativas
- Veja alternativas durante as obras na marginal Tietê
- Alternativas valem apenas por 19 dias
Apesar da piora do tráfego na marginal, a Secretaria Municipal de Transporte informou que o índice de congestionamento em toda a cidade teve melhora de 1% pela manhã. De acordo com o secretário Alexandre de Moraes, foi notada uma migração do horário de pico da manhã.
| Tatiana Santiago/Folha Online |
![]() |
| Interdições parciais em três pontes pioraram o trânsito na marginal Tietê nesta terça-feira e aumentaram o índice de lentidão em 31% |
Apesar dos problemas, as intervenções realizadas ao mesmo tempo fazem com que o transtorno, em tese, dure menos. O problema, afirma Orlando Strambi, professor da USP, é quando essa obra é colocada dentro de um contexto de planejamento estratégico.
"Mesmo que concorde com a urgência da obra, ela deveria doer muito na consciência de quem decidiu por ela. Mas isso não está ocorrendo", diz o engenheiro especialista em transportes da Escola Politécnica. Strambi questiona, por exemplo, a falta de espaços para os ônibus no projeto.
*
FOLHA- Essa obra é estratégica para a cidade de São Paulo?
ORLANDO STRAMBI - É uma obra para automóveis. Não ouvi ninguém falar que parte desse novo espaço vai ser usado para a passagem exclusiva de ônibus, por exemplo. Algumas linhas de longa distância até o aeroporto [de Guarulhos] poderiam passar pela marginal. Muitos preferem o trem, porque acham que ele é um meio de deslocamento rápido. Mas o ônibus, em uma faixa exclusiva pela marginal, também é.
FOLHA- A nova pista da marginal terá uma vida útil longa?
STRAMBI - No dia seguinte à entrega da obra, o espaço vai começar a ser ocupado. Ele não ficará vazio. A curto ou médio prazo, a tendência é que ocorra um novo equilíbrio. Mais automóveis ocupando mais espaços. Fatalmente, isso vai fazer com a que a obra seja datada.
FOLHA- É uma obra que politicamente está totalmente direcionada para o automóvel?
STRAMBI - O problema central dos transportes nas grandes cidades hoje, praticamente no mundo inteiro, é que o carro está ganhando a disputa por espaço. Mas é preciso que ocorra um ponto de inflexão. Isso é visto já em alguns lugares.
FOLHA- Como o investimento em mais metrô?
STRAMBI - O metrô é caro. Mas a sociedade, ao escolher ocupar os espaços na superfície com muitos carros e defender que a única saída é o metrô, está aceitando pagar essa conta alta. O remédio a longo prazo consiste em sacrificar bastante o automóvel e reorganizar o espaço na superfície, criando bons corredores de ônibus.
Outras notícias da editoria de Cotidiano
- Polícia inventou versões sobre prisão de Igor
- Polícia investiga suposta invasão de traficantes a morro no Rio
- Polícia já sabia que traficante do Rio comprava armas
Especial
- Confira o índice UV
- Leia sobre o tempo na Folha Online
- Veja o histórico de reportagens publicadas sobre trânsito
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria



abraços!
avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar