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Cotidiano
22/10/2009 - 09h10

Polícia prende universitária por forjar o próprio sequestro no DF

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JOHANNA NUBLAT
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Uma aluna de direito, de classe média, forjou o próprio sequestro para tirar R$ 8.000 da mãe, mas acabou presa em flagrante por extorsão e mandada para a prisão feminina, segundo a polícia do Distrito Federal.

Antonia Evangelista, 18, saiu de casa na segunda de manhã para ir ao UniCEUB (Centro Universitário de Brasília) e, menos de uma hora depois, a mãe da moça, Vanusa Evangelista, recebeu uma ligação de número restrito anunciando o sequestro e pedindo o resgate. Um novo telefonema foi feito, pedindo que o dinheiro fosse depositado na conta da filha.

Divulgação
Mensagem que filha enviou para a mãe forjando seu sequestro. Jovem foi presa
Mensagem que filha enviou para a mãe forjando seu sequestro. Jovem foi presa

Durante o dia, a mãe recebeu mensagens com ameaças, cobrando o dinheiro. Em uma das ligações, Vanusa falou com a filha, supostamente mantida sob cárcere, e disse que tentava um empréstimo. "Peça paciência, quando estiverem muito agressivos. Peça para me ligarem", disse, em ligação gravada.

A polícia diz que a moça agiu sozinha e disfarçou a voz ao falar com a mãe, que não percebeu. A universitária foi localizada às 4h da terça, após busca em pousadas da cidade. Até então, a polícia trabalhava com a hipótese de um sequestro real.

Antonia estava registrada em uma pousada sob seu nome e dormia no quarto, disse a polícia. De início, afirmou que os sequestradores haviam saído pouco tempo antes da chegada da polícia, mas acabou confessando que armara sozinha o falso sequestro, disse Leandro Ritt, diretor-adjunto da Divisão de Repressão a Sequestros.

"Ela nega que faria uso do dinheiro e diz que fez isso para chamar atenção. Mas vimos que, durante o dia, ela foi a duas agências bancárias [checar a própria conta]. No entendimento da divisão, isso demonstra um sério interesse no dinheiro", afirmou Ritt.

Antonia responderá por extorsão, cuja pena prevista é de quatro a dez anos de reclusão. Segundo Ritt, a ação é pública incondicionada, o que significa que terá curso independentemente da vontade da mãe.

A Folha tentou localizar Vanusa em seu trabalho e por telefone, mas não obteve resposta. Segundo Ritt, a primeira reação da mãe da garota foi de alívio --seguida por "revolta e sensação de ter sido traída".

 

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