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Cotidiano
23/10/2009 - 20h33

39 morrem em semana de confrontos no Rio; moradores são baleados em tiroteios

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DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio

O número de mortos nos confrontos entre traficantes de drogas e a polícia no Rio já chega a 39 --sendo que três pessoas eram policiais militares e pelo menos seis eram moradores. Os tiroteios começaram no último fim de semana e, somente nesta sexta-feira, seis pessoas morreram, doze foram presos e dois adolescentes foram detidos durante operações em favelas do Estado.

Piloto de helicóptero diz que pouso forçado ocorreu em 90 segundos
PM encontra seis corpos em matagal na zona oeste
Morador é atingido por bala perdida na zona norte
PM é ferido durante operação em favela

O balanço da polícia não inclui as duas mortes registradas nesta quinta-feira (22) na favela Vila Cruzeiro, na Penha. Segundo a PM, as duas vítimas foram encaminhadas para o Hospital Getúlio Vargas durante a madrugada por um morador da favela, mas já chegaram mortas ao local. A polícia ainda investiga se as mortes têm relação com os confrontos dos últimos dias.

Marcelo Sayao/Efe
Moradores tentam se proteger de tiros na Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio; confrontos já deixaram pelo menos 39 mortos
Moradores tentam se proteger de tiros na Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio; confrontos já deixaram pelo menos 39 mortos

Também nesta sexta-feira, três moradores foram baleados durante tiroteio entre criminosos e policiais na favela Vila Cruzeiro, na Penha (zona norte). As vítimas de bala perdida foram levadas para o hospital Getúlio Vargas, na Penha, zona norte da cidade.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, um homem de 51 anos, atingido no rosto, permanecia internado em estado grave no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) da unidade até a noite de hoje.

Um homem de 57 anos que ficou ferido na perna foi atendido e liberado, já um aposentado de 86 anos, atingido por um tiro de raspão no tórax dentro de um supermercado localizado em uma das entradas da favela, também já recebeu alta.

A PM informou que uma mulher foi atingida de raspão em frente a uma padaria na comunidade, mas não precisou de atendimento médico e por isso não entrou na estatística.

Operações

Ricardo Moraes /Reuters
Policiais realizam operação em diversas favelas da zona norte do Rio; guerra do tráfico causa pânico entre moradores
Policiais realizam operação em diversas favelas da zona norte do Rio; guerra do tráfico causa pânico entre moradores

Somente nesta sexta-feira, a polícia apreendeu na favela Vila Cruzeiro 71 trouxinhas e 70 sacolés de maconha, 64 sacolés de pó branco, 95 de crack, 1 kg de cocaína, um tablete de maconha, 1 kg de maconha, 2 kg de crack moído, cinco morteiros, 5.000 cápsulas para embalar droga. Duas pistolas foram apreendidas na favela do Jacarezinho (zona norte).

Na favela do Fumacê, em Realengo (zona oeste), seis corpos foram encontrados pela polícia no início da manhã desta sexta. A PM disse que as vítimas têm ligação com os confrontos que acontecem desde sábado (17) no Estado.

As operação policiais fazem parte das buscas por traficantes envolvidos nos ataques criminosos do último fim de semana, quando um helicóptero da corporação foi abatido pelos criminosos --três PMs morreram e três ficaram feridos.

Violência

Os confrontos na zona norte do Rio começaram na madrugada de sábado. Em disputa pelos pontos de venda de drogas, traficantes do morro São João --controlado pelo Comando Vermelho-- e aliados invadiram o morro dos Macacos, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos).

Um dos principais procurados pela PM é o traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 33, que atua no complexo de favelas do Alemão (zona norte) e está foragido pela segunda vez desde 2006, quando conseguiu passar a progressão do regime fechado para o aberto. Ele já havia escapado da cadeia em 2002, junto com outros criminosos, através de um túnel subterrâneo.

A polícia procura ainda Alexander Mendes da Silva, o Polegar, que pode estar envolvido com a invasão. Ele fugiu recentemente da prisão, ao conseguir a progressão do regime fechado para o aberto.

Comentários dos leitores
JOSE MOTTA (44) 18/11/2009 16h30
JOSE MOTTA (44) 18/11/2009 16h30
RIO, CIDADE MARAVILHOSA, CARTÃO VISITAS DO BRASIL, SEDE DA COPA DO MUNDO DE 2012 E OLIMPIADAS DE 2016. SABEM ONDEM O SALARIO DA POLICIA MILITAR É O MENOR DO BRASIL, ISSO MESMO MENOR QUE O ESTADO MAIS POBRE DO BRASIL. PRECISA FALAR, ENTÃO FALO: RIO DE JANEIRO. SENHOR SERGIO CABRAL. PARE DE POLITICAGEM E CHORAR NO OMBRO DO LULA E GOVERNE A O RIO DE JANEIRO. O POVO CARIOCA NÃO MERECE ISSO. sem opinião
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Polycarpo Quaresma (17) 11/11/2009 03h01
Polycarpo Quaresma (17) 11/11/2009 03h01
Não tem como "resolver" o problema de moradias quando a "comunidade" , ou seja o favelado, não paga luz, água, TV, IPTU, imposto de renda, aluguel, etc etc
Quer situação , financeiramente, melhor que esta? E tem mais eles aceita os traficante s numa boa.Alguém viu umfilme chamado "Sujos , Feios e Malvados" Vejam. MOstra uma outra perspectiva da natureza humana e da exclusão social. Não são santinhos não. Ah e aind atrabakham sem carteria assinada para descolar uma bolsa qualquer
sem opinião
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Fábio Rodrigo (1) 10/11/2009 21h44
Fábio Rodrigo (1) 10/11/2009 21h44
Lembra da expulsão dos pobres na maioria negros moradores dos cortiços demolidos para higienizar o Rio de Janeiro no século XIX (1878). Alguém pode recordar se houve algum plano decente de moradia para aquele povo?
Passaram apenas 131 anos e o que temos hoje?
1.006 favelas.Tudo é reflexo.
Alguém já ouviu falar de algum programa para ser realizado em longo prazo para as favelas do Rio de Janeiro?
Acreditam que promessas pitorescas apresentadas em campanhas eleitorais que em 4 anos de um mandato tudo estará tranquilo, tranquilo.
Enquanto isso toneladas de drogas e armas sobem o morro, pois existe um mercado a ser conquistado em cada morro, esquina ou avenida, pois o negócio é lucrativo: 1 grama de cocaína custa 10 reais, agora imagine apenas um ponto de drogas em cada uma das 1.006 favelas vendendo toneladas por mês.
Quem tem mais força controla. Antes era apenas um traficante, depois facções criminosas e, agora, milicianos, ex-policiais que acreditam neste mercado. Será que no futuro o Exército Nacional dominará este mercado? Se bem que muitas armas encontradas no morro são de uso exclusivo do Exército Nacional, quando não são de outros países. E nossas fronteiras, como a Marinha, a Força Aérea e o próprio Exército permitem a entrada de drogas e armas?
Agora tenho a certeza: "ta tudo dominado"!
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