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Cotidiano
03/11/2009 - 19h38

Moradores deixam suas casas por medo de novos tiroteios em favela no Rio

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DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio

Com medo de enfrentar mais uma noite de tensão durante troca de tiros entre criminosos de facções rivais, moradores começaram a deixar suas casas no final da tarde desta terça-feira na favela Vila Kennedy, em Bangu, zona oeste do Rio. Assustados, eles levam filhos e netos nos braços em busca de refúgio em moradias de parentes ou amigos.

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Nos confrontos do fim de semana, cinco pessoas foram baleadas e um morador, espancado.

"Aquelas famílias que se sentem em lugares caracterizados como linha de fogo usam o bom senso e decidem deixar a comunidade por alguns dias. Isso acontece em todas as zonas de conflito. Uma simples parede não é suficiente para segurar tiros de armamentos pesados", afirmou à Folha Online o diretor tesoureiro da Sociedade dos Amigos de Vila Kennedy, Urquilei dos Santos Pinheiro.

Ainda não é possível informar, entretanto, quantas pessoas já deixaram suas casas com medo de novos confrontos. Na manhã desta terça-feira, os tiroteios afetaram o funcionamento de escolas e creches na região, prejudicando cerca de 13 mil estudantes.

De acordo com o setor de inteligência da Polícia Militar, integrantes da facção criminosa TCP (Terceiro Comando Puro) da favela Vila Aliança tentam invadir desde sábado (31) a comunidade Vila Kennedy, que é dominada pelo CV (Comando Vermelho).

Segundo a polícia, a tentativa de tomar o comando da região seria uma resposta à invasão de criminosos do CV ao morro dos Macacos, em Vila Isabel, na madrugada do dia 17 de outubro. Na semana seguinte à ação, pelo menos 42 pessoas morreram em confrontos entre quadrilhas rivais, e em tiroteios com a polícia.

"Faixa de Gaza"

A localidade mais temida pelos moradores é conhecida como "faixa de Gaza", que divide as duas favelas: Vila Kennedy e Vila Aliança. "Às margens da avenida Brasil está a nossa comunidade e do lado oposto em um maciço de 400 metros de altitude, próximo à antiga estrada de ferro Central do Brasil, está a outra [rival]", disse Pinheiro.

A PM informou que agentes permanecerão nas comunidades Vila Kennedy, Vila Aliança, Metral, Rebu e Coreia, nas regiões de Bangu e Senador Camará (zona oeste), por tempo indeterminado. Ainda não há informações de feridos, presos ou apreensões na ação desta terça-feira.

A direção da Sociedade dos Amigos de Vila Kennedy afirmou que existe um pacto de respeito entre criminosos, independente da facção, dentro de áreas de conflitos. De acordo com o termo de compromisso, os invasores não podem entrar nas casas dos moradores da localidade.

"Os moradores temem que os tiros atravessem as paredes das casas. Todo esse confronto leva a um distúrbio psicológico tanto de adultos como de crianças da comunidade", disse.

Comentários dos leitores
JOSE MOTTA (44) 18/11/2009 16h30
JOSE MOTTA (44) 18/11/2009 16h30
RIO, CIDADE MARAVILHOSA, CARTÃO VISITAS DO BRASIL, SEDE DA COPA DO MUNDO DE 2012 E OLIMPIADAS DE 2016. SABEM ONDEM O SALARIO DA POLICIA MILITAR É O MENOR DO BRASIL, ISSO MESMO MENOR QUE O ESTADO MAIS POBRE DO BRASIL. PRECISA FALAR, ENTÃO FALO: RIO DE JANEIRO. SENHOR SERGIO CABRAL. PARE DE POLITICAGEM E CHORAR NO OMBRO DO LULA E GOVERNE A O RIO DE JANEIRO. O POVO CARIOCA NÃO MERECE ISSO. sem opinião
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Polycarpo Quaresma (17) 11/11/2009 03h01
Polycarpo Quaresma (17) 11/11/2009 03h01
Não tem como "resolver" o problema de moradias quando a "comunidade" , ou seja o favelado, não paga luz, água, TV, IPTU, imposto de renda, aluguel, etc etc
Quer situação , financeiramente, melhor que esta? E tem mais eles aceita os traficante s numa boa.Alguém viu umfilme chamado "Sujos , Feios e Malvados" Vejam. MOstra uma outra perspectiva da natureza humana e da exclusão social. Não são santinhos não. Ah e aind atrabakham sem carteria assinada para descolar uma bolsa qualquer
sem opinião
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Fábio Rodrigo (1) 10/11/2009 21h44
Fábio Rodrigo (1) 10/11/2009 21h44
Lembra da expulsão dos pobres na maioria negros moradores dos cortiços demolidos para higienizar o Rio de Janeiro no século XIX (1878). Alguém pode recordar se houve algum plano decente de moradia para aquele povo?
Passaram apenas 131 anos e o que temos hoje?
1.006 favelas.Tudo é reflexo.
Alguém já ouviu falar de algum programa para ser realizado em longo prazo para as favelas do Rio de Janeiro?
Acreditam que promessas pitorescas apresentadas em campanhas eleitorais que em 4 anos de um mandato tudo estará tranquilo, tranquilo.
Enquanto isso toneladas de drogas e armas sobem o morro, pois existe um mercado a ser conquistado em cada morro, esquina ou avenida, pois o negócio é lucrativo: 1 grama de cocaína custa 10 reais, agora imagine apenas um ponto de drogas em cada uma das 1.006 favelas vendendo toneladas por mês.
Quem tem mais força controla. Antes era apenas um traficante, depois facções criminosas e, agora, milicianos, ex-policiais que acreditam neste mercado. Será que no futuro o Exército Nacional dominará este mercado? Se bem que muitas armas encontradas no morro são de uso exclusivo do Exército Nacional, quando não são de outros países. E nossas fronteiras, como a Marinha, a Força Aérea e o próprio Exército permitem a entrada de drogas e armas?
Agora tenho a certeza: "ta tudo dominado"!
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