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Cotidiano
05/11/2009 - 15h27

Familiares de vítimas protestam contra violência em operações policiais no Rio

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DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio

Cerca de 70 pessoas, entre familiares de vítimas e representantes de ONGs, realizaram uma manifestação nesta quinta-feira contra a violência em favelas do Rio. Mais de 40 cruzes de madeira com pontos de interrogação foram espalhadas em frente à Secretaria de Segurança Pública, na Central do Brasil, região central da cidade.

A organização do protesto entregou um ofício ao subsecretário de inteligência da secretaria, Rivaldo Barbosa, que exige a divulgação da quantidade e da identidade das pessoas mortas em operações policiais ocorridas em comunidades do Rio desde o dia 17, quando um helicóptero da Polícia Militar foi abatido por traficantes.

O documento foi assinado por mais de 400 pessoas e 60 entidades e ainda pediu o fim das operações "baseadas na lógica do extermínio". Manifestantes seguravam cartazes pedindo o fim do caveirão (veículo blindado usado em operações) e mais atenção para a saúde e educação.

O subsecretário prometeu às entidades que vai protocolar o documento e repassar as informações ao secretário José Mariano Beltrame, que estava em Brasília. Segundo os manifestantes, Babosa não deu prazo para a divulgação das informações, e a assessoria de imprensa da secretaria não quis se manifestar sobre o assunto.

"Nós estamos cansados de ver pessoas inocentes morrendo. Luto para que não aconteça com outras famílias o que aconteceu com a minha, que até hoje sente a dor de perder um filho. Somos contra a política de extermínio. Depois que o helicóptero da PM caiu, o governador deu aval para que a polícia suba [os morros] e mate", disse Márcia Jacintho, que perdeu o filho durante uma operação policial em 2002.

Hanry Silva Gomes de Siqueira, tinha 16 anos quando foi baleado no morro do Gambá, em Lins de Vasconcelos (zona norte). A PM registrou o caso como "auto de resistência" --morte em troca de tiros-- e apresentou um revólver calibre 38 e um saco de maconha como "prova" de que o jovem era traficante. A mãe investigou a morte, ouvindo testemunhas e fazendo perícia no local do crime, até provar que ele fora assassinado. Em 2008, dois PMs foram condenados e expulsos da corporação, e neste ano a Justiça mandou indenizar a mãe.

Outro familiar de vítima, Luciano dos Santos, participou do evento e pediu justiça. Seu irmão, Josenildo Estanislau dos Santos, 42, morreu em abril, durante operação policial no morro da Coroa, no Catumbi (centro), com um tiro na nuca. Policiais do 1º Batalhão são acusados do disparo, e devem passar por júri popular no próximo dia 17.

A família dos três jovens assassinados no morro dos Macacos no último dia 17 não compareceram ao protesto.

Comentários dos leitores
JOSE MOTTA (44) 18/11/2009 16h30
JOSE MOTTA (44) 18/11/2009 16h30
RIO, CIDADE MARAVILHOSA, CARTÃO VISITAS DO BRASIL, SEDE DA COPA DO MUNDO DE 2012 E OLIMPIADAS DE 2016. SABEM ONDEM O SALARIO DA POLICIA MILITAR É O MENOR DO BRASIL, ISSO MESMO MENOR QUE O ESTADO MAIS POBRE DO BRASIL. PRECISA FALAR, ENTÃO FALO: RIO DE JANEIRO. SENHOR SERGIO CABRAL. PARE DE POLITICAGEM E CHORAR NO OMBRO DO LULA E GOVERNE A O RIO DE JANEIRO. O POVO CARIOCA NÃO MERECE ISSO. sem opinião
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Polycarpo Quaresma (17) 11/11/2009 03h01
Polycarpo Quaresma (17) 11/11/2009 03h01
Não tem como "resolver" o problema de moradias quando a "comunidade" , ou seja o favelado, não paga luz, água, TV, IPTU, imposto de renda, aluguel, etc etc
Quer situação , financeiramente, melhor que esta? E tem mais eles aceita os traficante s numa boa.Alguém viu umfilme chamado "Sujos , Feios e Malvados" Vejam. MOstra uma outra perspectiva da natureza humana e da exclusão social. Não são santinhos não. Ah e aind atrabakham sem carteria assinada para descolar uma bolsa qualquer
sem opinião
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Fábio Rodrigo (1) 10/11/2009 21h44
Fábio Rodrigo (1) 10/11/2009 21h44
Lembra da expulsão dos pobres na maioria negros moradores dos cortiços demolidos para higienizar o Rio de Janeiro no século XIX (1878). Alguém pode recordar se houve algum plano decente de moradia para aquele povo?
Passaram apenas 131 anos e o que temos hoje?
1.006 favelas.Tudo é reflexo.
Alguém já ouviu falar de algum programa para ser realizado em longo prazo para as favelas do Rio de Janeiro?
Acreditam que promessas pitorescas apresentadas em campanhas eleitorais que em 4 anos de um mandato tudo estará tranquilo, tranquilo.
Enquanto isso toneladas de drogas e armas sobem o morro, pois existe um mercado a ser conquistado em cada morro, esquina ou avenida, pois o negócio é lucrativo: 1 grama de cocaína custa 10 reais, agora imagine apenas um ponto de drogas em cada uma das 1.006 favelas vendendo toneladas por mês.
Quem tem mais força controla. Antes era apenas um traficante, depois facções criminosas e, agora, milicianos, ex-policiais que acreditam neste mercado. Será que no futuro o Exército Nacional dominará este mercado? Se bem que muitas armas encontradas no morro são de uso exclusivo do Exército Nacional, quando não são de outros países. E nossas fronteiras, como a Marinha, a Força Aérea e o próprio Exército permitem a entrada de drogas e armas?
Agora tenho a certeza: "ta tudo dominado"!
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