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Cotidiano
05/11/2009 - 17h10

Justiça aceita confrontar sangue achado em apartamento com DNA de casal Nardoni

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MARINA NOVAES
da Folha Online

Atualizado às 21h15.

A Justiça de São Paulo aceitou parcialmente pedido da defesa de Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá --acusados de matar a filha dele, Isabella Nardoni, 5,-- para que seja realizado um exame de DNA que confirme que o sangue utilizado pela perícia para confrontar o encontrado em peças de roupa no apartamento onde o crime ocorreu não é do casal.

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Peritos do IML (Instituto Médico Legal), acompanhados da defesa e da Promotoria, irão coletar o material genético dos acusados nesta sexta-feira (6), nos presídios feminino e masculino de Tremembé (a 147 km de São Paulo), onde eles estão presos.

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Apesar de ter aceitado a realização do exame genético, o juiz Maurício Fossen determinou que o material coletado --mucosa da parte interna da boca, fio de cabelo ou outro material compatível-- seja examinado pelo IC (Instituto de Criminalística), e não por peritos apontados pela defesa dos Nardoni, como pedia o advogado Roberto Podval, segundo o Ministério Público de São Paulo.

A realização do exame de DNA foi solicitada por Podval para "provar que não é do casal" o sangue em que se basearam algumas perícias e boa parte da investigação sobre o assassinato, conforme revelado pela Folha em maio deste ano.

À Folha Online o advogado do casal afirmou que o objetivo dos exames é comprovar se o sangue armazenado no IC é dos acusados, já que, segundo ele, não existe um documento que comprove que eles doaram as amostras no início das investigações.

"Todas as provas da acusação foram geradas com base nesse material [o sangue do casal]. Mas eu tenho um documento assinado pelos dois [Alexandre e Anna Carolina] afirmando que não foi retirado sangue na época", afirmou o advogado. Ele negou, entretanto, que tenha exigido que o exame fosse feito por peritos particulares.

O advogado não quis comentar o que muda no processo caso seja comprovado que o sangue armazenado no IC não seja do casal.

Acusação

Para a acusação, porém, a realização do exame "não muda em nada" o processo, já que, segundo o promotor Francisco Cembranelli, a Promotoria nunca afirmou que o sangue encontrado no apartamento era do casal.

Reprodução
Ana Carolina Cunha de Oliveira e a filha, Isabella, 5, que caiu do sexto andar do edifício London, na zona norte de São Paulo
Ana Carolina Cunha de Oliveira e a filha, Isabella, 5, que caiu do sexto andar do edifício London, na zona norte de São Paulo

"Todo o sangue encontrado [no apartamento] era da Isabella. Nunca ninguém disse que era deles. Esse sangue que eles negam ter sido coletado só mostrou [durante as investigações] que a mancha encontrada em uma calça dela [da madrasta] era de Anna Carolina", disse o promotor à Folha Online.

Segundo a acusação, à época, foram encontrado vestígios de sangue de Isabella no apartamento. Além disso, a perícia encontrou ainda uma calça de Anna Carolina com uma mancha de sangue que, após exame, ficou comprovado que era da própria madrasta; e uma camisa com sangue.

"A contraprova nem deverá ser usada pela acusação. Essa é uma tentativa da defesa de encontrar alguma falha que desqualifique o trabalho da perícia e da acusação", afirmou.

Para a Justiça, a nova coleta de material genético tem como objetivo "compará-lo com o restante do material que ainda se encontra preservado perante àqueles órgãos públicos" e "visa exatamente dirimir quaisquer dúvidas a respeito da origem daquele material que lá se encontra".

Crime

A menina Isabella morreu no dia 29 de março de 2008, quando foi jogada do sexto andar do prédio onde moravam seu pai e sua madrasta, na zona norte de São Paulo. O casal foi preso em maio daquele ano e permanece na prisão desde então.

Os desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiram que o casal deve ser levado a júri popular pelo crime. O julgamento ainda não tem data definida, mas a expectativa da Justiça é que ocorra em 2010.

 

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