Lula defende valorização do policial para evitar que corporação se alie ao crime
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
Ao sancionar nesta sexta-feira projeto que altera o plano de carreira dos policiais militares e bombeiros do Distrito Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a valorização dos salários das corporações pelos Estados. Segundo o presidente, a única forma de evitar que policiais se aliem ao crime organizado é garantir um vencimento capaz de fazê-lo sustentar sua família.
"A única hipótese de não ter policial recebendo propina da bandidagem é ganhando o suficiente para cuidar da sua família. Sabemos que tem duas coisas para garantir um bom policial: ser bem formado com uma corporação bem estruturada e ter sua profissão com a única fonte de renda para sustentar o seu. Se ele precisar fazer bico, já estamos correndo risco", disse.
Diante de um ginásio lotado de policiais e em clima de festa, o presidente Lula lembrou que tem trabalhado com o ministro Tarso Genro (Justiça) e com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), para negociar um melhoria nos salários dos policiais do Estado.
"Na semana passada, eu mandei meu ministro da Justiça ao Rio para assumir um compromisso com Cabral de que estamos dispostos a fazer possível e impossível para ajudar a melhorar condições do Rio para que a gente possa exigir que eles cumpram uma função que eles têm que cumprir", afirmou.
O presidente disse, no entanto, que os outros Estados não podem esperar o mesmo tratamento de Brasília --que com o novo plano de carreira terá um reajuste de até R$ 1.000 sobre o salário inicial de R$ 4.056. "Vamos ter todos os Estados querendo o mesmo. Sei que muitos telefonaram para colegas de outros Estados, mas é importante levar em conta o poder do cofre do Estado. Nem todo Estado pode dar a mesma condição que Brasília que, por ser capital, tem tratamento diferencial. Não vamos exigir que Roraima e Alagoas o mesmo que faz o DF queria a compreensão", disse.
Lula defendeu uma mudança na jornada de trabalho dos servidores da área de segurança pública. "Agora, tem um problema, uma discussão que precisa ser feita de que é sobre essa jornada de 24 horas por 72 horas. Vamos ter que sentar com os comandantes pra discutir isso. Achar que um ser humano pode trabalhar 24 horas por dia sem dar uma cochiladinha é acreditar em papai Noel. É melhor que os companheiros ganhem um bom salário e possam trabalhar oito horas. Vamos contratar mais gente, pagar melhor e o povo vai estar muito mais seguro porque vai saber que vai ter policial 24 horas nas ruas", afirmou.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) também discursou e lembrou a importância da segurança pública. "Temos que priorizar a área de segurança pública e por isso estamos propiciando melhores condições de vida e melhores oportunidades de carreira combatendo o tráfico e sua rede de aliciamentos. É nossa missão, é missão de cada um dos senhores [militares] disputar cada criança, cada jovem com crime organizado. Eles têm falsos atrativos e nós podemos ter os verdadeiros atrativos", disse.
A sanção do projeto ocorreu após dez dias da aprovação no Congresso. Pela proposta, os militares passam a ganhar incentivos para o aperfeiçoamento educacional, com regras para promoção, incluindo cursos que devem ser realizados pela corporação e o tempo mínimo a ser cumprido em cada posto ou graduação.
A lei sancionada também cria a GRV (Gratificação por Risco de Vida) para esses servidores, no valor de R$ 250 mensais em 2009, e sujeita a aumentos programados para elevar o benefício a R$ 1.000 até 2014. Também passa a ser exigido o diploma de nível superior para ingressar nas corporações.
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