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Cotidiano
10/11/2009 - 09h06

Polícia de SP quer impedir viciados de recolher latas na cracolândia

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AFONSO BENITES
da Folha de S.Paulo

Quase quatro meses após o início de uma operação na cracolândia que ainda não conseguiu acabar com o consumo de drogas na região, as polícias Civil e Militar querem restringir o acesso de catadores de lixo a materiais recicláveis.

O objetivo é evitar que os viciados que frequentam o local, no centro de São Paulo, obtenham dinheiro com a venda de latinhas e papelão para empresas de reciclagem e o usem para comprar droga.

Adriano Vizoni/Folha Imagem
Homem recolhe latinha de alumínio em rua na região da cracolândia, centro de São Paulo
Homem recolhe latinha de alumínio em rua na região da cracolândia, centro de São Paulo

A proposta foi apresentada pelas polícias de São Paulo ao grupo de trabalho que atua na região e internou mais de 40 usuários --parte deles desistiu de ser tratada.

"O pessoal [da cracolândia] está sobrevivendo [da venda] do lixo. Pegam material reciclável, vendem por R$ 10, R$ 15, comem no Bom Prato, por R$ 1, e com o resto compram droga e usam ali", diz o delegado da 1ª seccional (centro), Aldo Galiano Júnior.

A ideia é que os comerciantes coloquem o lixo nas lixeiras em um horário previamente combinado com as empresas de coleta e que ele seja recolhido rapidamente. Assim, os "noias", como são chamados os viciados, não teriam como catar o material reciclável e vendê-lo.

Atualmente, a coleta na região central é feita à noite, geralmente após as 22h, três horas após o fechamento do comércio, segundo lojistas.

Em nota, o subprefeito da Sé, Nevoral Bucheroni, informou que o órgão está trabalhando na conscientização dos grandes geradores de lixo para que eles colaborem com a limpeza, depositando o lixo no horário próximo ao que é realizada a coleta.

Catador

A arquiteta Nina Orlow, membro do Grupo de Trabalho e Meio Ambiente da ONG Movimento Nossa São Paulo, diz que a proposta não tem relação com a redução da permanência de viciados na cracolândia.

"A solução não é a questão do resíduo. Se o viciado não tirar a renda de lá, vai tirar de outro lugar, pode ser até roubando. Ele não vai deixar de se viciar porque ele não poderia mexer no lixo", afirma.

Para ela, que defende uma ampliação da coleta seletiva na região, o projeto das polícias diz nas entrelinhas que todo catador é usuário de crack. "O que não é uma verdade."

"Vivo disso. Não uso drogas. O dinheiro que eu tiro do lixo é só para comer", disse o catador José Alves, enquanto recolhia papelão na rua Vitória.

Os comerciantes e moradores da região se dividem sobre a proposta. Geraldo Oliveira, gerente de um bar na rua Guaianazes, diz que o projeto poderia diminuir a sujeira das ruas e evitar aglomerações de "noias".

Já Ribamar da Rocha e Silva, recepcionista de um hotel na Conselheiro Nébias e morador da mesma rua, afirma que, sozinha, essa ação é inócua. "Nos últimos meses já diminuiu a quantidade de 'noias', mas, para ficar melhor, tem de aumentar a segurança. Se tirarem as latinhas, eles vão ficar pedindo dinheiro ou praticando furtos."

Comentários dos leitores
Marcos cunha (61) 10/11/2009 18h12
Marcos cunha (61) 10/11/2009 18h12
Quando o indivíduo chega no krack, não tem volta, tive um amigo que ficou sem usar por dez anos e acabou voltando.
Tinha que pegar estas pessoas e coloca-las numa (cidade) isolada dar comida e drogas a vontade, quem sabe nós teríamos um pouco de sossego.
É utópico, mas não vejo outra saída.
sem opinião
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Carlos Lima (33) 06/10/2009 09h46
Carlos Lima (33) 06/10/2009 09h46
ai esta o preço do desarmamento, o cidadão de bem perdeu o direito de se defender...
já o marginal, ele adquire armas com facilidade, não cumpre as leis.
um povo desarmado é um povo rendido...
1 opinião
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Carolina F. (4) 05/10/2009 19h27
Carolina F. (4) 05/10/2009 19h27
Provavelmente a grande ação deles seja empurrar os mendigos e a criminalidade ainda para outros bairros vizinhos, fazendo um rodízio. sem opinião
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