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Cotidiano
11/11/2009 - 09h59

Causa do apagão foi desligamento de três linhas em SP e no PR, diz governo

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SOFIA FERNANDES
colaboração para a Folha Online, em Brasília

Atualizado às 11h13.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou nesta quarta-feira que a origem do apagão aconteceu em três linhas de transmissão nos Estados do Paraná e de São Paulo, o que acabou forçando o desligamento da usina de Itaipu.

Duas das linhas ligam o município de Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP), e a outra fica entre Itaberá (SP) a Tijuco Preto (SP) --as três linhas são de Furnas.

Segundo o secretário, as três linhas não chegaram a cair, foram desligadas por conta de condições meteorológicas adversas na região de Itaberá. Todo o sistema já voltou, e o apagão durou cerca de quatro horas, segundo os cálculos do ministério.

Os ventos e chuvas fortes não causaram danos a equipamentos, afirmou Zimmermann. A ocorrência do apagão aconteceu às 22h14, enquanto o presidente Lula reunia-se com o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), para discutir royalties do pré-sal.

Zimmermann descartou sabotagem e afirmou que esse contingenciamento triplo das linhas de transmissão é coisa inédita no país. Defendeu, contudo, que o sistema interligado brasileiro é reconhecido internacionalmente, e que não há semelhanças do ocorrido com o apagão de 2001, já que o Brasil tem investido pesadamente no setor.

"Em 2001, era falha de energia. Naquela época não tinha investimento em transmissão e geração de energia, não tinha geração suficiente para atender", afirmou.

O CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) reúne-se hoje, às 17h, no CNOS (Centro Nacional de Operação do Sistema Elétrico) para identificar causas exatas e fazer um balanço do apagão. "Estamos trabalhando para identificar causa para que o problema não se repita", disse Zimmermann. O governo ainda não divulgou balanço fechado de quantos Estados foram afetados.

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Apagão

A assessoria do Ministério de Minas e Energia afirmou que o blecaute que atingiu parte do país na noite de ontem até a madrugada de hoje afetou ao menos 12 Estados brasileiros, além de parte do Paraguai. Às 6h, a usina de Itaipu informou que já operava normalmente.

Segundo a assessoria, a região mais afetada foi a Sudeste, onde todos os Estados --São Paulo, Rio, Minas e Espírito Santo-- tiveram problemas, já no Sul do país, o blecaute atingiu os três Estados --Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As regiões Nordeste e Centro-Oeste também foram afetadas, com registro de apagões nos Estados de Pernambuco, Bahia, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Rubens Cavallari/Folha Imagem
Carros tomaram a avenida Paulista, em SP, durante blacaute que atingiu 12 Estados
Carros na Praça da Bandeira, em SP, durante blacaute que atingiu 12 Estados

O ministério não soube informar quais Estados foram totalmente atingidos pelo blecaute e em quais o problema foi parcial. A pasta destacou ainda que o ministro Edison Lobão se reúne com técnicos na manhã desta quarta e deve divulgar um balanço completo sobre o problema no período da tarde.

Apesar de o ministério não apontar problemas de fornecimento de energia no Norte do país, as Centrais Elétricas de Rondônia comunicaram falta de luz por meia hora em todo o Estado. Já no Acre, de acordo com a Eletroacre, a queda de energia durou cerca de 30 minutos, e atingiu dois municípios: a capital, Rio Branco, e Cruzeiro do Sul.

A Ceal (Companhia Energética de Alagoas) também informou que o blecaute atingiu cerca de 50% do Estado. Na capital, Maceió, o fornecimento não foi interrompido.

São Paulo e Rio

Na cidade de São Paulo, o apagão causou pânico nas ruas, paralisou trens e o metrô, prejudicou o trânsito, e deixou diversas pessoas presas em elevadores. A Polícia Militar informou, porém, que não houve registros de ocorrências graves. Diversas cidades da Grande São Paulo e do Estado também foram afetadas.

Devido ao blecaute, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos na manhã desta quarta-feira (11). Ainda não se sabe, porém, quantos municípios do Estado foram afetados.

Segundo o governo federal, o Estado do Rio foi o mais afetado do país e chegou a ficar totalmente às escuras. Por isso, o governador Sérgio Cabral (PMDB) determinou que o Bope (Batalhão de Operações Especiais), da Polícia Militar, reforçasse o policiamento na cidade do Rio. Houve caos no trânsito e nos transportes públicos.

Outros Estados

Em Minas Gerais, o apagão deixou às escuras dezenas de cidades da região metropolitana de Belo Horizonte e do interior do Estado. Houve queda de energia em várias partes do Espírito Santo, inclusive em Vitória.

No Rio Grande do Sul, houve interrupção no fornecimento de energia por cinco minutos em cidades da região metropolitana de Porto Alegre. Segundo a AES Sul, 70 mil imóveis ficaram sem luz em São Leopoldo e Sapucaia do Sul.

Em Santa Catarina, houve interrupção no fornecimento de energia em Joinville, Blumenau, Lages, Concórdia e Videira. Segundo a Celesc (Companhia de Energia Elétrica de Santa Catarina), houve oscilação no abastecimento de suas subestações.

No Paraná, o apagão foi sentido em ruas do centro de Curitiba. Enquanto em parte da área central as luzes permaneciam acesas, em outras houve queda de energia nos postes e em edificações. Após cerca de dois minutos, a energia foi retomada nos locais onde o abastecimento foi interrompido.

O apagão também atingiu parte das regiões extremo sul, norte e sertão da Bahia, segundo a Coelba (Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia). O apagão durou poucos minutos no Estado.

Com Agência Folha

Comentários dos leitores
alexandre bakunin (121) 27/11/2009 19h09
alexandre bakunin (121) 27/11/2009 19h09
Patrícia Godoy (1) 26/11/2009 23h22, disse:
"Engenheiros, Eletricistas e estagiários, peguem suas luvas, ferramentas, lápis, papel e livros e preparem-se, literalmente. Pois tem muito a ser feito..."
Patrícia, em primeiro lugar seja bem-vinda. Desejo ler muitas pautas
suas.
Há, de fato, muito a ser feito. Parece que estamos saindo daquele estado cartorial-catatônico em que os chibarros nos mantiveram há décadas.
Diga para os engenheiros e arquitetos não esquecerem de trazer o prumo e o nível.
4S ! (sorte, saúde, sucesso e sossego)
sem opinião
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Não é aceitável o que está acontecendo com a energia elétrica no Brasil. Repentinamente voltamos a eras antigas, em que não se podia confiar numa situação de tranquilidade quanto ao fornecimento de luz. A situação está ridícula num momento em que se espera um surto de desenvolvimento que permita superar a crise econômica que ainda não acabou. Seria exigível maior seriedade no tratamento do assunto, relegado a segundo plano por privilegiar-se a discussão política e a disputa pela presidência da república. Mas, sem energia para fazer o país funcionar e crescer, vai haver o que para ser governado? sem opinião
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Patrícia Godoy (1) 26/11/2009 23h22
Patrícia Godoy (1) 26/11/2009 23h22
Pois é! Então, ATENÇÃO! Engenheiros, Eletricistas e estagiários, peguem suas luvas, ferramentas, lápis, papel e livros e preparem-se, literalmente. Pois tem muito a ser feito, para muitos. O Vovô no hospital tem que voltar pra casa pra mais um natal! Ele tem muito a nos dizer! Eis uma boa oportunidade de crecermos com um bom trabalhos. E... senhores políticos eleitos por nós, por favor, desembassem e fiquem de olhos abertos (não grande!), para fazermos uma vez só, combinado? Obrigada. 1 opinião
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