Apagão pode ser reflexo de sobrecarga na transmissão, dizem especialistas
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
Especialistas do setor elétrico ouvidos pela Folha Online questionaram a explicação do governo de que os problemas nas linhas de transmissão que ocasionaram um apagão tenham sido causados por fatores climáticos. O blecaute durou mais de quatro horas e atingiu 18 Estados.
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O presidente do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), Adriano Pires, disse que a causa mais provável para o apagão seja uma sobrecarga nas linhas, que não aguentaram a carga de consumo exigida.
"Não acredito na questão climática.Eu acho que o problema foi sobrecarga no sistema. Energia tem de sobra, mas as linhas de transmissão têm uma capacidade limitada. O que aconteceu foi um apagão de transmissão", afirmou.
Já o presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales, foi mais cauteloso, mas disse que a explicação de que foram problemas climáticos é muito "superficial".
"'Razões climáticas' definitivamente não é uma informação técnica que permita uma analise concreta do que aconteceu. Estamos sem resposta para um monte de detalhes", afirmou.
Os dois especialistas, porém, dizem que não há investimentos suficientes na infraestrutura do setor para evitar problemas como o de ontem. De acordo com Adriano Pires, apesar de haver "redundância" em várias partes do sistema, que funcionam como uma espécie de reserva ao principal, não há linhas de transmissão suficientes e falta manutenção às existentes. Além disso, ele defende investimentos em sistemas mais modernos de gestão das linhas e do sistema interligado.
"O problema é de gestão. O Brasil não sabe administrar bem esse setor, está crescendo muito e sempre que o crescimento é concreto, esbarra na falta de infraestrutura", completou.
Pires defende também a inclusão de termelétricas na base do sistema. Mais próximas aos centros de consumo, elas diminuiriam a dependência brasileira das linhas de transmissão.
"Se ontem tivesse mais térmicas a gás gerando, poderia ter evitado o apagão. Em Pernambuco, por exemplo, só apagou meia hora, porque foi acionada uma térmica da distribuidora local", disse.
Opção
Sales explica que o governo fez uma opção do ponto de vista do planejamento energético de investir na interligação do sistema, em detrimento da construção de térmicas mais próximas às cidades consumidoras.
"Hoje [o sistema de transmissão] está mais robusto do que esteve há algum tempo atrás. Dito isso, provavelmente até pelo que ocorreu, essa robustez não é total e absoluta, não é suficiente para garantir de alguma forma não tem uma pane", avalia.
Segundo Sales, atualmente, de cada R$ 100 que o brasileiro paga na conta de luz, apenas R$ 6,5 vai para o setor de transmissão, o que corresponde a cerca de R$ 8 bilhões por ano. Ele diz ainda que a construção de mais térmicas a serem acionadas em emergências daria mais segurança ao sistema.
"Temos a liberdade de fazer a melhor escolha com complementação térmica para aumentar a segurança e para não se repetir o que aconteceu pelo menos duas vezes nos últimos tempos", diz, se referindo aos apagões de ontem e de 2001.
| Arte/Folha Online | ||
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"Engenheiros, Eletricistas e estagiários, peguem suas luvas, ferramentas, lápis, papel e livros e preparem-se, literalmente. Pois tem muito a ser feito..."
Patrícia, em primeiro lugar seja bem-vinda. Desejo ler muitas pautas
suas.
Há, de fato, muito a ser feito. Parece que estamos saindo daquele estado cartorial-catatônico em que os chibarros nos mantiveram há décadas.
Diga para os engenheiros e arquitetos não esquecerem de trazer o prumo e o nível.
4S ! (sorte, saúde, sucesso e sossego)
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