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Cotidiano
12/11/2009 - 18h59

Polícia apreende 60 kg de carne de cachorro e gato vendida a restaurantes de São Paulo

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ANDRÉ MONTEIRO
da Folha Online

A Polícia Civil de São Paulo apreendeu 60 kg de carne de cachorro e gato no matadouro clandestino descoberto na manhã desta quinta-feira no bairro Miguel Badra, na cidade de Suzano, na Grande São Paulo.

Veja imagens

Segundo o delegado Anderson Pires Gianpaoli, da 2ª Delegacia de Saúde Pública do DPPC (Departamento de Polícia e Proteção à Cidadania), o casal preso por abater os animais recolhia sua matéria-prima das ruas havia três anos. Eles atraíam os bichos com pedaços de carne e ossos, aguardavam um período de engorda, e os matavam a machadadas.

Reprodução
Pedaço de carne de cachorro apreendida em matadouro de Suzano (Grande São Paulo)
Pedaço de carne de cachorro apreendida em matadouro de Suzano (Grande São Paulo)

O corpo, então, era recortado em pedaços, que ficavam armazenados em refrigeradores. A pele e os pelos dos animais, assim como pedaços da carcaça, eram queimados com maçarico. Segundo o delegado, eles faziam isso para evitar deixar vestígios do abatimento.

A carne era vendida por preços entre R$ 180 e 220 a carcaça já limpa. Eles só abatiam sob encomenda, mas a polícia afirma que eram comercializados cerca de dez animais por semana. Segundo o delegado, como a carne não tinha procedência, poderia estar contaminada.

No matadouro, os policiais encontraram três cachorros vivos, que não aguardavam o abate. Eles estavam vacinados e eram de estimação do casal.

Bom Retiro

Também foram presos nesta quinta quatro coreanos responsáveis por dois restaurantes do bairro Bom Retiro, na região central de São Paulo, onde a polícia afirma que a carne era vendida.

Nos locais foram apreendidos pedaços de carne que ainda vão passar por perícia para apontar se são de cachorros ou gatos. A polícia encontrou documentos e agendas em que consta o telefone do casal de Suzano.

Em um dos restaurantes foram apreendidos cardápios com imagens de cachorro com a legenda "quem sabe, sabe" em coreano.

Todos os envolvidos serão indiciados por maus-tratos contra animais, crime de relação de consumo e formação de quadrilha. Segundo o delegado, se condenados, a pena pelos crimes pode variar entre 2 a 10 anos.

Leonardo Wen/Folha Imagem
Fiscais da Coordenação de Vigilância Sanitária recolhem amostras de carne em restaurante coreano do Bom Retiro, no centro de SP
Fiscais da Coordenação de Vigilância Sanitária recolhem amostras de carne em restaurante coreano do Bom Retiro, no centro de SP

"Eu poderia fazer uma comparação com a legislação da Holanda, que permite, por exemplo, o consumo de entorpecentes. O fato de um holandês vir pra cá não o possibilita de comprar entorpecentes para consumir. Se no país oriental de onde estes estrangeiros vieram isso é permitido, obviamente eles não podem, sob o manto dessa cultura, querer no nosso país praticar este tipo de crueldade e consumir este tipo de carne", disse o Gianpaoli.

Extradição

A polícia recebeu uma denúncia relacionada ao crime há cerca de um mês. Agentes se infiltraram na comunidade oriental do Bom Retiro até descobrirem o matadouro. "O mais importante era descobrir quem eram os promotores da matança", disse o delegado.

No fim da tarde, o deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP) enviou ofício ao ministro da Justiça, Tarso Genro, solicitando informações sobre a situação jurídica dos coreanos presos. O deputado disse que, caso estejam irregulares no país, poderá pedir formalmente a extradição.

Todos os presos, que negam envolvimento com os crimes, serão encaminhados ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros. Os advogados dos suspeitos não quiseram se pronunciar.

Em 1996, a polícia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, prendeu um brasileiro e um coreano acusados de matar cães e vender a carne para três restaurantes do Brás, na região central de São Paulo. Na época, eles afirmaram que cobravam R$ 30 por animal limpo.

 

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