Agência diz que autorizou colocação de vigas no Rodoanel
da Agência Brasil
Em nota, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) negou nesta segunda-feira que as três vigas de um viaduto do Rodoanel que caíram na última sexta-feira (13) em Embu (Grande São Paulo) foram instaladas sem o conhecimento do órgão ou da concessionária Autopista, que administra a rodovia Régis Bittencourt.
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As obras do lote 5 do trecho sul do Rodoanel, onde ocorreu o acidente, são de responsabilidade da Dersa (empresa estatal que gerencia a obra) e de um consórcio liderado pelas empresas OAS, Mendes Jr. e Carioca Engenharia.
| Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem |
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| Segurança olha para as vigas caídas na obra do trecho sul do Rodoanel, em Embu (SP) |
Segundo a ANTT, o consórcio tinha permissão para instalar dez vigas entre os dias 7 e 10 de novembro. No último sábado (14), o secretário estadual de Transportes, Mauro Arce, afirmou que as vigas que caíram haviam sido instaladas na terça (10).
Para a colocação das vigas, o consórcio precisava receber uma autorização da Autopista, que adota medidas para garantir a segurança dos motoristas que trafegam na rodovia. Mas o que ocorreu, de acordo com a ANTT, é que os trabalhos de colocação das vigas foram retomados nos dias seguintes sem o conhecimento da concessionária.
"No período foram instaladas somente quatro vigas, e a continuidade dos trabalhos do lançamento das demais dependia de nova autorização", diz a ANTT. Uma quinta viga que deveria ter sido instalada no período quebrou durante o transporte.
Na quinta-feira (12), por volta das 22h, a concessionária informou à ANTT que o consórcio havia retomado o trabalho de colocação das vigas sem tê-la avisado, e foi orientada pela agência a registrar um boletim de ocorrência policial sobre o fato.
"O consórcio construtor e a Dersa procuraram a ANTT ainda na noite de quinta-feira, mas foram informados de que não seria possível obter a autorização naquele momento. Na sexta-feira pela manhã, após a solicitação do consórcio, foi concedida uma nova autorização para o içamento das vigas a partir da madrugada de sábado para domingo".
Com a nova autorização, o consórcio poderia concluir o içamento das vigas até a madrugada de hoje.
As obras estão paralisadas por 15 dias para que o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) possa elaborar um laudo sobre as causas do acidente. O IC (Instituto de Criminalística), o Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo) e o Ministério Público também vão investigar o acidente.
Segundo a Secretaria estadual de Transportes, o adiamento não vai atrapalhar o cronograma das obras do Rodoanel, que tem conclusão prevista para 27 de março do próximo ano.
Acidente
As vigas pesam 85 toneladas e têm 40 metros de comprimento. Por volta das 21h15 de sexta elas despencaram de uma altura de aproximada de 20 metros e atingiram um caminhão e dois carros --um deles ficou totalmente destruído. Três pessoas ficaram feridas, mas duas já deixaram o hospital.
Nesta segunda o presidente do Crea-SP, José Tadeu da Silva, afirmou que a instalação de quatro, e não de cinco vigas previstas, é a principal hipótese para explicar as causas do acidente. Para Silva, a instalação de uma viga a menos é um procedimento incorreto e inadequado e, como a quinta viga quebrou, nenhuma delas deveria ter sido instalada.
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