96% dos ônibus estão em greve, diz SPTrans
da Folha OnlineA greve de ônibus entrou hoje no segundo dia consecutivo em São Paulo. Os passageiros precisam recorrer às vans, ao carro e ao metrô. Estima-se que 3,1 milhões de pessoas sejam prejudicadas.
A greve contraria decisão do TRT (Tribunal Regional do Trabalho). A Justiça determinou ontem a circulação de 80% dos veículos nos horários de pico: das 5h às 8h e das 17h às 20h. Nos demais horários, as empresas deverão manter em operação 60% dos ônibus.
Moacyr Lopes Junior/FI![]() Com paralisação de viações, vans circularam lotadas |
A Paratodos já teve hoje quatro veículos depredados. Ninguém ficou ferido. Ontem, a SPTrans contabilizou 79 ônibus destruídos.
Multa
De acordo com o TRT, o descumprimento da determinação acarretará aos responsáveis uma multa diária no valor de R$ 50 mil e uma outra no valor de R$ 10 mil, caso ocorram "manifestações que possam constranger ou ameaçar direitos de terceiros, causar ameaça ou dano à propriedade ou pessoa ou bloqueio de trânsito".
Uma audiência de conciliação entre motoristas, empresários de ônibus e a SPTrans deve ocorrer nesta tarde. Não há registro de tumultos ou vias interditadas.
Alternativas
Os 14 terminais de São Paulo estão fechados. Os perueiros aproveitam a situação e alguns chegam a cobrar o valor de duas tarifas (R$ 3,40). O passageiro pode denunciar o caso à prefeitura.
Os usuários do metrô também devem sentir um aumento no volume de passageiros. O sistema opera sem problemas. A linha 5, que liga Capão Redondo ao Largo Treze (zona sul de São Paulo), vai funcionar até as 20h. Atualmente, a linha 5 funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h.
Para quem optou por tirar o carro da garagem, o congestionamento está dentro da média para o horário. Às 8h a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou 64 km de vias com problemas.
Ontem, o pico ocorreu às 9h30, com 95 km de congestionamento, recorde do ano no período da manhã.
O rodízio de veículos foi suspenso e a zona azul e as faixas exclusivas de ônibus foram liberadas.
Motivo
Os funcionários decretaram a greve, ontem, sob alegação de pendências trabalhistas como, por exemplo, a aflta de pagamento do FGTS. No entanto, o sindicato da categoria reconheceu que os funcionários querem mudanças na licitação para o novo sistema de transporte coletivo que a prefeitura quer concluir para selecionar os novos operadores.
O sindicato teme que, com o novo modelo, os condutores fiquem sem alguns direitos, como o pagamento de dívidas trabalhistas para funcionários de empresas que deixaram de operar. O sindicato quer que as dívidas sejam incluídas na nova licitação.
A prefeitura rejeita a idéia de injetar recursos para resolver os problemas ou mudar a licitação. A entrega dos envelopes, prevista para ontem, foi suspensa provisoriamente, após parecer do TCM (Tribunal de Contas do Município), que apontou possíveis irregularidades no edital.
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