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Projeto propõe demolir parte da área da "Cracolândia"
da Folha de S.PauloO arquiteto e urbanista Paulo Bastos propôs à prefeitura desapropriar e demolir as construções de dois quarteirões inteiros da "Cracolândia" para revitalizar a região. A idéia é criar uma praça de 20 mil m2 muito arborizada. Cada quadra tem em média 10 mil m2 (100 m x 100 m).
Bastos foi contratado pela Secretaria Municipal da Habitação (Sehab), no ano passado, para elaborar um estudo e oferecer propostas de requalificação urbana da região formada de hotéis.
O mote das propostas deveria ser a preservação do patrimônio histórico e a solução dos problemas habitacionais dos cortiços. O estudo foi concluído e entregue no mesmo ano.
A prefeitura não tem planos de criar as praças propostas por Bastos, cujo currículo inclui do restauro da catedral da Sé a um programa de urbanização de loteamentos na região da represa Guarapiranga. O documento entregue pelo arquiteto, ao qual a Folha teve acesso, servirá de subsídio para o programa municipal de revitalização do centro.
De acordo com Bastos, os quarteirões escolhidos são os que menos têm prédios históricos. "Para mim, com tanta infra-estrutura ociosa, aquela é uma região que "urra" para receber novos edifícios de moradia, não só de baixa renda, mas também de classe média. Só que, para tal, seria preciso requalificá-la, e você não faz isso em São Paulo, uma cidade que carece de espaço público, apenas restaurando prédios", considera.
Com o auxílio de especialistas do setor imobiliário, Bastos montou um esquema que, segundo ele, faria com que a prefeitura não precisasse desembolsar nada. A idéia central é cobrar uma taxa dos donos de imóveis próximos das futuras praças para financiar a desapropriação e as obras.
"Em todas as projeções que fizemos, os imóveis teriam o valor triplicado com as praças. A taxa capturaria uma pequena parcela dessa especulação imobiliária decorrente das melhorias implantadas. Além dessa, há outras formas de o poder público se capitalizar com a revitalização", afirma.
Na avaliação do arquiteto, os restauros de prédios como o da Estação Júlio Prestes e o aumento da segurança na região provocou mudanças na "Cracolândia", mas isso tem alcance restrito. "Nem precisaria ser dois quarteirões, que fosse um. Com o espaço livre e arborizado, aquilo ficaria com cara de bairro central", considera.
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