Cotidiano
14/05/2003 - 10h32

Entenda o caso da estudante baleada em universidade do Rio

da Folha Online

A estudante Luciana Gonçalves de Novaes, 19, foi ferida por um tiro no rosto, na manhã do último dia 5, na cantina do campus da Universidade Estácio de Sá no Rio Comprido, zona norte do Rio.

A bala atingiu a região da mandíbula, destruiu parte da terceira vértebra e se alojou na coluna medular. Os médicos ainda avaliam a extensão da lesão causada pelo tiro e possíveis sequelas.

Entenda o caso:

05/05 - Por volta das 9h30, tiros atingem o campus da universidade. Uma das balas fere a estudante. Estilhaços ferem também o auxiliar administrativo Marcelo Araújo Matos, 24. Os dois são levados para Casa de Saúde Portugal. A polícia suspeita que os tiros foram disparados por criminosos do morro do Turano, vizinho ao campus, em represália pela morte de um suposto traficante e pelo desaparecimento de outros dois homens. O secretário da Segurança, Anthony Garotinho, determina uma operação policial no morro do Turano. Luciana é transferida para o Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo (zona sul).

06/05 - A governadora do Rio, Rosinha Garotinho (PSB), acompanhada da filha Clarissa, vai até o hospital Pró-Cardíaco prestar solidariedade à família da estudante baleada.

07/05 - Cerca de mil alunos do campus da Universidade Estácio de Sá realizam assembléia e manifestação para exigir segurança. Garotinho anuncia medidas para diminuir a violência no Rio.

08/05 - A estudante, em coma induzido, é submetida a uma cirurgia para a retirada da bala e fixação da coluna. A operação é considerada bem-sucedida, mas os médicos ainda avaliam a extensão da lesão e possíveis sequelas.

09/05 - A polícia levanta a hipótese de o tiro que feriu a estudante ter sido disparado no interior do campus, e não do morro do Turano em direção ao prédio da universidade. Uma fita gravada pelo circuito interno de segurança da Estácio mostra um vulto, no final do corredor onde estava Luciana, segurando um objeto, que, para a polícia, poderia ser um fuzil. Uma operação policial no morro da Mineira --onde estariam responsáveis pelos tiros contra a universidade-- termina com oito mortos. Nenhum suspeito foi preso.

10/05 - Os médicos responsáveis pelo tratamento da estudante suspendem a aplicação dos sedativos para avaliar o nível de consciência da paciente.

11/05 - Ainda saindo do coma induzido, a estudante abre os olhos e reconhece familiares.

12/05 - Boletim médico divulgado pelo Hospital Pró-Cardíaco diz que a estudante está "lúcida e colaborativa". O caso, que estava sendo investigado pela 6ª Delegacia de Polícia, foi transferido para a Delegacia de Repressão a Entorpecentes por ordem do secretário da Segurança, insatisfeito com os trabalhos. Garotinho também advertiu a chefe do setor de inteligência da Polícia Civil, inspetora Marina Magessi, por ter dito que traficantes do morro do Turano, vizinho à universidade, têm nos alunos da Estácio a sua principal clientela.

13/05 - Polícia faz a reconstituição do tiroteio na universidade, para esclarecer a origem e a distância da bala que atingiu a estudante. O faxineiro Jonson Wagner Fonseca de Campos, 25, afirma ser a pessoa que aparece numa das fitas do circuito de segurança e que foi apontada como o suposto responsável pelo tiro que feriu a estudante. Disse à polícia que, no momento do tiroteio, saía do almoxarifado segurando três vassouras no ombro. A estudante é submetida a outra cirurgia, desta vez para a fixação da mandíbula.


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