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Cotidiano
16/06/2003 - 20h17

Metroviários de SP decidem entrar em greve a partir da 0h

CARLOS FERREIRA
da Folha Online

Os metroviários de São Paulo decidiram, em assembléia realizada nesta noite na sede do sindicato, entrar em greve a partir da 0h desta terça-feira, por um período de 24 horas.

A categoria, que reivindica reajuste salarial, realizará nova assembléia amanhã, para avaliar a paralisação.

Os metroviários pedem aumento de 18,13%, conforme determinação do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) em 29 de maio. O Metrô recorreu da decisão no TST (Tribunal Superior do Trabalho). É a primeira greve no sistema neste ano.

Durante o dia, panfletos foram distribuídos para os passageiros alertando a ameaça de greve e a situação dos funcionários. O salário médio dos metroviários, segundo o sindicato, é de R$ 1.600.

Cerca de 2,6 milhões de pessoas são transportadas diariamente pelo metrô, que possui quatro linhas.

TRT

M. Bergamo/Folha Imagem

Metrô transporta 2,6 milhões de pessoas por dia
O juiz João Carlos de Araújo, do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo, determinou hoje, liminarmente, a manutenção de 80% do funcionamento do Metrô nos horários de menor movimento e 100% nos horários de pico, durante a greve.

Segundo o presidente do sindicato dos metroviários, Flávio Godoi, a decisão não será respeitada. "A greve foi decidida pela grande maioria e todos nós vamos acatar, mesmo aquela minoria que era contra. Nosso movimento é muito forte e unido", disse o presidente.

Segundo o TRT, o descumprimento da manutenção do transporte acarretará multa diária no valor de R$ 200 mil.

Assembléia

Aproximadamente 1.700 dos 8.000 metroviários participaram da assembléia realizada hoje, segundo o sindicato. A realização da greve de 24 horas foi decidida por quase 100% dos presentes.

Esteve presente à assembléia Edilson de Paula Oliveira, presidente da CUT-SP, que afirmou apoio à greve. "É importante que a categoria esteja unida para enfrentar o governo do Estado unida. A CUT vai apoiar a decisão", disse.

Ficou determinado que os funcionários que entrariam às 22h desta segunda-feira não vão para o trabalho. Os metroviários que sairiam neste horário esticarão o seu turno até a meia-noite. A partir daí, ninguém mais entra para o trabalho.

Uma audiência de instrução e conciliação está marcada para as 14h15 de amanhã no TRT. Em seguida, às 18h, os metroviários voltam a se reunir.


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