Metroviários fazem primeira greve no ano e prejudicam 2,6 mi
da Folha OnlineSão Paulo amanheceu hoje sem metrô, sistema que transporta cerca de 2,6 milhões de passageiros diariamente. Os 8.000 funcionários, que reivindicam reajuste salarial de 18,13%, anunciaram uma paralisação de 24 horas. É a primeira greve da categoria neste ano.
Enquanto metroviários --que cobram o reajuste-- e a Companhia do Metropolitano --que nega o aumento salarial-- não se acertam, a população sofre. Os passageiros precisam recorrer aos ônibus, vans e trens. Quem pode, retira o carro da garagem.
O resultado são filas imensas em pontos, como no terminal Jabaquara, na zona sul de São Paulo. No início da manhã, as pessoas precisaram esperar não só para entrar nos veículos lotados mas também para fazer ligações de orelhões e avisar os chefes sobre o atraso no trabalho.
Muitos paulistanos não sabiam da greve, definida na noite de ontem. No início da manhã, foram surpreendidos ao encontrarem as estações do metrô fechadas.
Trânsito
O motorista que tem o conforto do carro, por outro lado, sofre com o congestionamento. Às 8h30, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou 100 km de vias com problemas, índice acima do normal.
M. Bergamo/Folha Imagem![]() Metrô transporta 2,6 milhões de pessoas por dia |
Outro local ruim é a avenida dos Bandeirantes, sentido Imigrantes. Por volta das 6h, um semáforo quebrou, perto da alameda dos Nhambiquaras. Ele foi consertado por volta das 7h40 e gerou congestionamento até a ponte Cidade Universitária, na marginal Pinheiros.
Rodízio
O rodízio de veículos, a zona azul e a faixa solidária --montada em pista sentido contrário, para veículos com mais de um ocupante-- foram liberados. Mesmo quem está sozinho no carro pode usar a faixa solidária.
Já as faixas exclusivas e os corredores de ônibus não podem ser utilizados por carros e motos, assim como o estacionamento na rua onde há placas alertando sobre a proibição.
Equipes da CET estão nas ruas removendo veículos estacionados irregularmente. Por volta das 7h20, pelo menos dois carros foram guinchados em um mesmo quarteirão na avenida Senador Queirós, região central. O melhor é evitar sair de casa no horário de pico.
Audiência
O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) fará às 14h15 uma audiência de conciliação entre sindicalistas e representantes do Metrô para tentar acabar com a paralisação.
No final da tarde, a categoria volta a se reunir em assembléia para avaliar a greve e determinar a continuidade ou não do movimento.
Ontem, o juiz João Carlos de Araújo, do TRT, determinou, liminarmente, a manutenção de 80% do funcionamento do metrô nos horários de menor movimento e 100% nos horários de pico, durante a paralisação --medida que não foi acatada pelos metroviários.
Segundo o tribunal, o descumprimento da manutenção do transporte acarretará multa diária de R$ 200 mil.
Brasília
O TST (Tribunal Superior do Trabalho), em Brasília, se ofereceu para intermediar uma audiência entre metroviários e representantes do Metrô.
Caso a audiência de conciliação marcada para esta tarde pelo TRT, em São Paulo, não resulte em acordo, juízes de Brasília convidarão empresários e funcionários para conversarem na próxima segunda-feira.
Histórico
Em 29 de maio o TRT determinou o reajuste salarial de 18,13%. O salário médio dos metroviários, segundo o sindicato, é de R$ 1.600. O Metrô não concordou com o aumento e recorreu ao TST para tentar suspender a decisão de reajuste.
A Companhia do Metropolitano alega que o reajuste comprometeria 82% da receita com a folha de pagamento. Atualmente, esse índice é de 68%. A receita do sistema é de R$ 60 milhões por mês, conforme a empresa.
Os metroviários, no entanto, afirmam que a empresa tem as contas equilibradas e que a Companhia do Metropolitano já reajustou as tarifas em janeiro.
Bilhete
A passagem do bilhete unitário aumentou 18,75%. Subiu de R$ 1,60 para R$ 1,90. Os bilhetes múltiplos de dois aumentaram de R$ 2,70 para R$ 3,40 e o de dez, de R$ 12,50 para R$ 15,50.
A inflação no período de 18 meses --desde a data de reajuste anterior-- foi de 14,7%, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor).
"O governo do Estado não hesitou em reajustar as tarifas do metrô no mês de janeiro em 19%, autorizou o reajuste de tarifas públicas, dos pedágios, anistiou a dívida do ICMS de várias empresas, mas nega aos trabalhadores a reposição da perda salarial", informou, em nota, o sindicato dos metroviários.
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