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Cotidiano
17/06/2003 - 20h38

Metroviários de São Paulo decidem permanecer em greve

CARLOS FERREIRA
da Folha Online

Em assembléia realizada na noite desta terça-feira (17), os metroviários de São Paulo decidiram permanecer em greve. A paralisação começou à 0h desta terça-feira.

De acordo com os metroviários, a greve será realizada por mais 24 horas e nova assembléia será realizada na quarta-feira. A categoria reivindica reajuste de 18,13%.

Durante reunião de conciliação realizada à tarde no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), o presidente do sindicato dos metroviários, Flávio Godoi, havia afirmado que levaria à categoria a decisão da Justiça que prevê multa diária de R$ 200 mil caso o sindicato não mantenha 80% da frota em horários de menor movimento e 100% nos horários de pico.

Godoi chegou a acenar na reunião com a possibilidade de suspender a paralisação e voltar ao estado de greve. Na assembléia, porém, ele classificou a continuidade da greve como a única alternativa para os trabalhadores conseguirem seus objetivos. Segundo o presidente do sindicato, uma nova reunião com a direção do Metrô, antes da assembléia, motivou sua atitude. Segundo ele, a nova proposta também foi rejeitada pela empresa.

Feriado

Os problemas causados para o trânsito e para outras formas de transporte hoje deverão ser agravados amanhã, véspera de feriado prolongado de Corpus Christi.

M. Bergamo/Folha Imagem

Metrô transporta 2,6 milhões de pessoas por dia
A greve causou o segundo maior índice de congestionamento do ano no período da manhã, com 122 km de vias com problemas às 9h30. O trânsito permaneceu complicado durante o dia e o índice fechou, às 20h, em 80 quilômetros, acima da média.

Esta é a primeira paralisação do sistema neste ano. Cerca de 2,6 milhões de pessoas são transportadas diariamente pelo metrô.

Impasse

Os metroviários reivindicam reajuste salarial de 18,13%, conforme determinação do TRT em 29 de maio. A Companhia do Metropolitano se recusou a conceder aumento e recorreu da decisão da Justiça regional ao TST.

A empresa alega que, com o reajuste, 82% de sua receita ficará comprometida com a folha de pagamento.

A reunião realizada no TRT terminou sem acordo. A Justiça do Trabalho fez três propostas, mas nenhuma foi aceita pelo Metrô. Foi marcada para o dia 23 uma nova audiência no tribunal, independente da audiência no TST, amanhã.

Uma das propostas previa o reajuste imediato de 14%, mais 4% em novembro, sobre o salário de 30 abril de 2003, data-base da categoria, mais dois abonos: de 8% em agosto e 8% em fevereiro do próximo ano.

A outra proposta previa reajuste imediato de 10%, mais 5% em outubro e 3,36% em abril de 2004. A última opção rejeitada previa reajuste imediato de 14%, mais 2% em novembro e 2% em abril do próximo ano.

Cerca de 1.700 dos 8.000 metroviários de São Paulo participaram da assembléia, na sede do sindicato, nesta noite.

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